5 às 5as – Autores alemães e austríacos proibidos por Hitler
por Patricia
em 03/12/15

5 às 5as

Inspirada na recente leitura de Quando os livros foram à guerra, resolvi falar sobre livro proibidos durante a 2a Guerra. Assim que Hitler chegou ao poder, algumas fogueiras de livros foram encomendadas (e incitadas) por toda a Alemanha. Mas não eram apenas autores estrangeiros que estavam na lista de proibições do novo Fuhrer. Autores alemães e austríacos (conterrâneos do próprio Hitler também entraram na lista por motivos diversos – enquanto muitos viram seus nomes nas listas apenas por serem judeus, outro usaram seu espaço para ativamente falar contra o Ditador.

Todos os autores citados foram traduzidos para o português.

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1 – Thomas Mann: autor de clássicos como A montanha mágica e Doutor Fausto, Mann foi um opositor ferrenho de Hitler, Mann já em 1939 discursou na BBC contra o governo. Mesmo depois de ter se exilado do país, o autor continuou a falar contra as medidas anti-semitas de Hitler e o que o ódio que ele via nascer em seu país. Uma gravação de 1940, quando o autor já vivia nos EUA, pode ser ouvida nesse link (en inglês). Conclusão: livros de Mann foram totalmente proibidos na Alemanha de Hitler.

2 – Heinrich Heine: Heine morreu em 1856 e, portanto, não poderia ter imaginado o que aconteceria com seu país. Porém, em uma de suas obras uma das frases ressoou por anos na Alemanha assolada pela guerra: “Eles começam queimando livros e terminam queimando homens”. Além de ser judeu, o que lhe garantiria um lugar de destaque nas fogueiras de Hitler, há quem diga que essa frase específica de seu poema Almansor publicado em 1921, foi uma previsão macabra do que estava por vir.

3 – Lion Feuchtwanger: O autor já criticava o partido nazista antes mesmo que chegasse ao poder. Os discursos anti-semitas lhe impactavam fortemente por ser judeu e por notar que muitos pareciam não perceber o monstro que surgia. Feuchtwanger foi um dos primeiros “famosos” a trazer o perigo do pratico de Hitler ao público geral. Já em 1920 seus trabalhos refletiam o temor do que aconteceria com a Alemanha, caso caísse nas mãos do Reich. A História mostrou que ele estava certo.

Towers of Hebrew books were burned, and bonfires were erected high up in the clouds, and people burnt, innumerable priests and voices sang: Gloria in excelsis Deo. Traits of men, women, children dragged themselves across the square from all sides, they were naked or in rags, and they had nothing with them as corpses and the tatters of book rolls of torn, disgraced, soiled with feces Books roles. And they followed men and women in kaftans and dresses the children in our day, countless, endless.

4 – Friedrich Wilhelm Foerster: O autor de A questão judaica já discordava da política externa alemã desde a 1a Guerra, ou seja, ele já estava contra a onda de nacionalismo exacerbado que nascia no país. Entre suas obras haviam escritos que denunciavam a elite alemã como a grande culpada pela guerra. Quando os nazistas chegaram ao poder, o discurso do Reich ia diretamente de encontro ao que Foerster dizia. Pautado em um nacionalismo ferrenho, os nazistas viram nas obras do autor uma ameaça ao ideal alemão que queriam expandir e as referências a Foerster eram acompanhadas quase sempre com as palavras traidor, oportunista e imoral. Ele chegou a ser perseguido pela Gestapo, mas conseguiu fugir para os Estados Unidos.

5 – Freud: Um dos mais famosos psicanalistas de todos os tempos também não conseguiu escapar das chamas nazistas por sua linhagem judia. Apesar de ter recebido em 1930 o Prêmio Goethe por suas contribuições para a cultura alemã, em 1933 quando os nazistas chegaram ao poder, seus livros foram queimados levando Freud a declarar, esperamos que ironicamente: “Que progresso esse. Na Idade Média eles teriam me queimado. Agora, estão satisfeitos em queimar meus livros”. Apesar de desacreditar a investida nazista, Freud rapidamente se convenceu quando seus amigos começaram a ser presos a partir da invasão de Hitler na Áustria.

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