5 às 5ªs – Cartoons satíricos, politizados e de humor lado B
por Ragner
em 03/07/14

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Durante meus anos de adolescência e quase juventude, entre meus 13 à 16 anos, acompanhei e li muitas tirinhas e revistas com quadrinhos compostas de personagens, digamos, alternativos, cheios de personalidade, revoltados, marginalizados (a margem mesmo da sociedade), cheios de humor negro e características um tanto quanto abusivas em relação a moral e bons costumes. Mas tudo seguia um contexto sócio-político-cultural bem peculiar, acompanhado de textos bem escritos e desenhos bem caricatos. As revistas abordavam muito bem todo o ambiente de pós ditadura, pós diretas já e mudança cultural em que o país vivia, e ainda escancaravam situações machistas com uma pitada de sarcasmo. As quatro primeiras são exclusivas de um desenhista que gosto muito – Angeli – e a última é de outro cartunista – Glauco – que já li um bocado também.

 

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1 – Os Skrotinhos: Está em primeiro exatamente por ter sido o que eu mais lia e comprava. O nome escrachado ai evidencia perfeitamente como eles eram e o que representavam. Duas criaturinhas – anãs mesmo – gêmeas completamente despudoradas, politicamente incorretas, viciadas em depravação e com humor sem pudor algum, tinham histórias e mais histórias que continham trágicas piadas sem qualquer senso ético. Mas tudo isso dentro de um contexto que entretinha e corroborava com toda uma atmosfera satírica dos anos 80 e 90.

 

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2 – Wood & Stock: Dois senhores hippies que passam os dias regados a Rock’N’Roll, drogas (pseudo maconha, ou orégano mesmo para deixar bem claro) e sexo (pelo menos tentativas frustradas). Velhos, barrigudos e carecas, vão vivendo as décadas que sucederam os anos 60/70 em total desnorteamento, quase que completamente descerebrados. Mas Wood é casado e tem um filho e esse está em constante embate com o pai desmiolado. As tiras são engraças e o humor não é tão pesado como os demais.

 

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3 – Rê Bordosa: Pense em uma mulher completamente desprovida de ética, ninfomaníaca, alcoólatra e desbocada. Rê era a exposição óbvia de como algumas pessoas enxergavam uma mulher entre 40 anos, cheia de vícios e solteira. Sem qualquer intenção de discutir machismo ou mesmo negligenciar o feminismo, a personagem era uma sátira bem hipócrita de como alguns homens estúpidos podiam entender uma mulher solteira já mais adulta, porém, tirando tudo isso, as tirinhas ainda mostravam como a Rê era A personagem feminina, uma anti-heroína proposital que discutia muito bem isso.

 

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4 – Bob Cuspe: Punk, anárquico e cheio de revolta, Bob era a figura que representava o movimento punk inglês e que cuspia LITERALMENTE na cara da sociedade e de qualquer um. O anti-herói que escarrava na cara do povo alienado e que engrossava o sentido de massa. Rebelde sem pátria, Bob cuspia em tudo que ele acreditava ser sacana no mundo e deixava sua marca por onde passava, molhada, empapada de saliva e cheia de significados. Cada personagem de Angeli atacava em alguma ferida social e política. Escancarava de forma pulsante idiossincrasias estúpidas, fossem elas universais ou particulares, sem parcialidade.

 

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5 – Geraldão: Um personagem completamente desmedido, lotado de vícios como cigarro, bebida e remédios. Com certeza uma figura que não possui o mínimo de ética e bom senso. Um modelo escancarado de como não ser um exemplo a ser seguido, mas que evidencia trocentas particularidades que várias pessoas possuem. Todos os males vergonhosos que muitos de nós podemos ter, ali, na solidão do quarto ou por trás dos outros, estão estigmatizados no Geraldão. Um produto de uma sociedade doente.

P.S.: Tudo aqui é politicamente incorreto. Extremamente.

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