5 às 5ªs – Escritores Negros
por Poderoso
em 18/11/15

5 às 5as

 

Amanhã é dia da Consciência Negra e para homenagear uma data tão importante, nós do Poderoso idealizamos listar 5 escritores negros. Cada qual com seu estilo diferente, com sua importância literária e que já passaram por aqui ou que causaram um impacto em nós quanto leitores. O assunto é importante e se mantém em voga pois, mais do que nunca, vemos cenas e notícias sobre preconceitos por diversos motivos. Raça continua sendo um dos mais fortes. Ler uma obra que destoa de sua própria realidade é um excelente primeiro passo para exercer uma empatia por um lado desconhecido.

Essa é nossa humilde contribuição:

1 – Ayaan Hirsi Ali: A autora de Infiel, já resenhado por aqui, é somali e criada em meio às tradições muçulmanas do país. Em sua autobiografia, Ali descreve todo o processo de libertação que viveu, saindo de um casamento arranjado à força e da dor da mutilação genital para viver outros momentos tensos antes de finalmente iniciar novas vidas na Holanda e nos Estados Unidos. Sua história vem a calhar em momentos de discussão sobre o que é ou não o islamismo e quais as suas ramificações no mundo hoje. O islamismo somali retratado por Hirsi Ayaan Ali é tristemente pontuado por tradições que inferiorizam a mulher e que causam sofrimento aos que nele vivem.

2 – Roxane Gay: Algumas poucas vezes na vida, lemos uma autora que faz uma diferença imediata e irremediável. Roxane Gay e seu livro Bad Feminist, fizeram exatamente isso para mim no começo do ano. Uma obra sensacional, que apresenta uma visão de vida de alguém que escreve maravilhosamente bem como também já pensou bastante nos assuntos que comenta. Gay em momento nenhum parece cumprir um roteiro que não o seu próprio enquanto esclarece para o leitor questão extremamente pertinentes ao tema feminismo.

3 – Chimamanda Ngozi Adichie: Todo mundo tem falado de Chimi: de participar de músicas da Beyonce a palestras excelentes do TED – parece que a autora está por todos os lados. Recentemente, li Americanah da autora e achei absolutamente fenomenal. Com um cuidado fantástico, Adichie aborda a questão de raça nos Estados Unidos e faz o leitor embarcar junto com sua protagonista – Ifemelu. Protagonistas boas, aliás, é um grande forte da autora além da habilidade de incorporar temas controversos em histórias apaixonantes.

4 – Machado de Assis: O mito. Até hoje tem gente que tem medo de Machado. Os motivos variam consideravelmente, mas a verdade é que sabemos que nem sempre é fácil ler Machado. Com seu vocabulário antigo e suas histórias mais reflexivas, a leitura pode ser um pouco desafiadora. Porém, acredite, vale a pena demais. O sarcasmo nas páginas, a realidade nua e crua da situação humana em grandes obras como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Iaiá Garcia, para citar algumas, valem cada palavra. Um gênio. Um baita gênio.

5 – Carolina Maria de Jesus: Mulher, negra e da favela (1914-1977), conhecida principalmente pelo livro “Quarto de despejo”, a autora mescla em sua obra escritos autobiográficas, memórias, contos, poesias, provérbios e romances. Ela retrata a vida na favela de uma forma natural, uma mulher estudada nacional e internacionalmente.

Menção honrosa a um camarada que fez muito por sua comunidade e que ajudou a levar literatura ao Morro do Alemão, antes da “pacificação” e mesmo depois. Otávio Júnior pode ser considerado um sobrevivente e guerreiro que batalhou diariamente para seguir o caminho inverso de amigos de infância. Enquanto muitos percorriam sem volta o submundo do tráfico, Otávio insistiu em seu interesse pela literatura até ser conhecido mundialmente como um agente transformador em seu meio cultural.

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