5 ás 5as – Filmes que retratam a violência contra a mulher.
por Thiago
em 29/10/15

5 às 5as

 

Enfim acabou o ENEM, que maravilha (ou não). Com isso vieram algumas surpresas e uma chuva de surpreendentes indignações. Tudo por causa da mulher, da discussão sobre o feminismo.

A querela começou no primeiro dia com uma questão de filosofia (matéria que leciono). Nela há um extrato da obra “O segundo sexo” de Simone de Beauvoir, esse aqui pra ser específico.

Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.” Fonte: BEAUVOIR, S. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.

Depois disso, veio o segundo dia, e com ele o tema da redação: “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”.

Fiquei pensando muito sobre a confusão que estas questões geraram. Primeiro por não ver problema em ambos, a questão tava bem fácil, as opções eram simples e além do mais a postura feminista dentro da corrente filosófica de Beauvoir, o existencialismo, contextualiza e explica bem a citação. A filósofa não é uma pensadora sem importância para a história da filosofia, seu pensamento é de extrema relevância, assim como vários outros que caíram na prova de humanas.

Deixando agora Simone um pouco de lado vamos a redação. A primeira coisa a se lembrar é que o ENEM não é uma prova que requisita sua opinião e sim seus conhecimentos e raciocínio. Assim sendo, se você não concorda com a teoria de Simone de Beauvoir ou com “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”, sinto muito, sua nota pode não ser boa.

Engraçado, essas coisas só acontecem com humanas, principalmente com filosofia e sociologia (as duas matérias que leciono hoje). Ninguém cria polêmica com química, matemática, biologia. Você pode até pensar que essa comparação é esdruxula, mas preste atenção, se a prova cobra aquilo que você passou o ano estudando, seja na escola ou cursinho, a ideia é a mesma. Não cobra as suas ideias originais (ou não tão originais assim) que surgiram durante seu tempo de estudo.

Bom, depois desse desabafo vamos a nossa lista? Muitas vezes um filme pode ajudar a entender com mais facilidade um tema. Sendo assim, resolvi listar 5 bons filmes que retratam o tema da redação do ENEM. Quem sabe aqueles que se incomodaram tanto com o tema possam ao menos parar pra analisar, mesmo que não os leve a outro ponto.

Vamos lá então:

1- Meninos não choram

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Filme incrível de 1999, dirigido por Kimberly Peirce, mesma diretora da famosa série de tv The L World, que, assim como o filme, trata sobre lesbianismo, detre outras coisas.

Baseado  na história real de Teena Brandon, o filme retrata a vida de um garoto que nasceu num corpo biológicamente feminino. Assim o filme gira em torno da questão da transexualidade. Acompanhamos a trasformação de Teena Brandon em Brandon Teena.

Escolhi este filme mesmo não tendo a temática da violência contra a mulher como centro por tratar de forma profunda a questão de gênero. Uma boa ilustração pra questão sobre Simone de Beauvoir que caiu no ENEM. O filme nos questiona o que é ser mulher e ser homem. Vale ressaltar que é um filme bem pesado e triste, assim como quase todos dessa lista.

 

2- Preciosa

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Falando em filme triste temos Preciosa. Filme de 2010 dirigido por Lee Daniels é sem dúvida um soco no estômago. Ele conta a história de uma adolescente de 16 anos que tem sua juventude recheada de privações e dilemas, negra, gorda, violentada pelo pai, abusada pela mãe, mãe de um filho com síndrome de down e por aí vai.

Preciosa é um tapa de realidade bem na sua cara, é triste, pesado e exige força. Um timo exercício de empatia.

3- A cor púrpura

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Um clássico, feito em 1986 por Spielberg. Nos apresenta um dueto íncrivel, Denny Glover e Whoopi Goldberg, de longe o melhor filme da carreira dos dois.

Retrata os EUA, mais especificamente a Georgia de mil novecentos e pouco. Uma jovem negra de 14 anos é violentada pelo pai, engravida, tem dois filhos mas é separada deles e da irmã que tanto ama, depois é “dada” a Mister (Glover) que a trata como escrava e companheira.

O filme mostra a relação dessa jovem com a vida e como ela se descobre mesmo com tantos problemas. Sim, mais um filme pra chorar e dar arrepio nos pelos do braço, é pesado, tenso, mas é um Spielberg fazendo drama. Se não fosse por ET diria que é o melhor filme dele.

4- Acusados

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Talvez o filme mais bacana da lista em relação ao tema do ENEM. Filme de 1988, dirigido com Jonathan Kaplan. A proposta do filme é bem simples: Sarah Tobias (Jodie Foster) é estuprada em um bar e, ao denunciar a agressão, encontra dois problemas: seus agressores e o sistema penal, no qual as vítimas de estupro são suspeitas em seus próprios casos.

O roteiro é baseado num caso de estupro que aconteceu em 1983 no bar Big Dan em New Bredford em Massachusetts.

A história discute a cultura do estupro, principalmente com a ideia da culpa, no caso recaindo sobre a vítima. Isso ainda existe em diversas culturas, e deu uma ótima premissa pra redação do ENEM deste ano.

Jodie Foster tá incrível no filme, o que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz em 89.

 

5- A bela e a fera

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Vamos fechar com um desenho, uma história bem antiga. Sim, essa é a pegadinha da lista. Como filme me refiro a versão da Disney mesmo e não ao recente live action, mas é um conto francês  bem antigo, de 1740, escrito por Gabrielle Suzanne Barbot.

Vejo várias histórias Disney e contos de princesa como coisas machistas e violentas. A violência não se resume a questões físicas, mas imposições culturais, humilhações, assédios, vulgarização, menosprezo e por aí vai.

Não vou contar a história pois vocês já devem conhecer, então acompanha meu raciocínio. Uma mulher é dada como pagamento da dívida do pai para um desconhecido, no caso um monstro. Tudo bem que depois ela passa a gostar da Fera (meio síndrome de Estocolmo isso, mas fazer o que). Se for parar pra pensar não faz tanto tempo assim que os casamentos arranjados foram se dissipando. A mulher não tinha direito à escolha de sua vida, quem dizia com quem ela iria se casar ou não se casar, quem diria o que ela faria de sua vida era seu pai. A mulher não tinha escolhas e, sim, é disso que se trata “A bela e a fera”. Pronto, falei.

Postado em: Resenhas

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