5 às 5as – Histórias sobre Paquistão e Irã
por Patricia
em 02/07/15

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Recentemente, li e resenhei aqui no Poderoso Os filhos do Jacarandá – livro que nos conta a vida de algumas mulheres depois da Revolução Fundamentalista no Irã. Olhando para as resenhas do Poderoso no geral e as minhas leituras, percebi que temos considerável lista de livros sobre tanto o Irã quanto o Paquistão. Amigos políticos e constantemente listados como dois dos piores países para mulheres e igualdade, talvez, possamos dizer que esses são dois dos países que mais definem o fundamentalismo islâmico.

De prender mulheres que se apaixonam por “pessoas erradas” a tentar diminuir os direitos reprodutivos das mulheres, esses países costumam ser o exemplo quando se quer dizer que tudo poderia ser pior. Claro que nunca tendo visitado esses países, comento apenas sobre relatos e notícias. A lista de hoje, porém, vem da fonte direta: 5 livros de quem nasceu e viveu (ou fugiu) do Irã ou do Paquistão nos contam o que passaram. São histórias inspiradoras, dignas de ler e reler e que nos apresentam uma realidade impensável e uma força descomunal de algumas mulheres que exigiram justiça em países em que esse é um termo muito mal utilizado.

Sem ordem de preferência.

1) Os filhos do Jacarandá – Sahar Delijani: Como falei dele na introdução da lista, vamos abrir com ele mesmo. Livro sensacional, bem escrito, direto ao ponto e que retrata a vida de algumas mulheres que sobreviveram à Revolução Fundamentalista no Irã no final da década de 70. Um livro que mistura ficção com realidade e com a vida da própria autora. Na resenha, coloquei alguns techos do livro que ajudam a explicar um pouco o que esse livro representa.

2) Persépolis – Marjani SartrapiUm clássico do quadrinho já. Em um formato diferente, menos formal, Marjani vai nos contar basicamente as ramificações de um Estado Islâmico – uma (quase) autobiografia escrita de maneira a manter o leitor preso em cada folha. “O traço simples e leve da autora deixa o livro mais tranquilo de acompanhar para quem não está acostumado com quadrinhos; mas o conteúdo, denso e politizado, é recomendado para quem tem mais interesse na influência que a política e um estado rígido e não-democrático podem ter no dia a dia de alguém. Um livro maduro, em que mortes acontecem aos montes e pessoas desistem de sonhos e da mudança política. Porém, ao mesmo tempo, uma história sempre pincelada pela esperança da personagem principal.”  Vale lembrar também de Bordados, da mesma autora, que conta a história de um ponto de vista diferente: “as conversas das mulheres quando estão em seu “mundo” próprio, livres da repressão dos homens e tomando chá após um jantar.”

3) Sem minha filha não vou – Betty Mahmoody: Aqui temos uma história verídica narrada por uma americana casada com um iraniano. O livro se passa na década de 80, quando a Revolução estava em pleno vapor no país. Betty e sua filha vão visitar pátria do marido e acabam presas e forçadas a viver no estilo iraniano. “[…] Mas nada pode preparar o leitor para o tipo de tortura física e psicológica a que Betty (a protagonista) é submetida. Privação de liberdade, submissão a uma religião e regras de vida que não eram as dela, total obediência forçada a seu marido e até mesmo uma relação em que seu marido era considerado legalmente o dono dela e de sua filha.”

4) Eu sou Malala – Malala Yousafzai: Acho que a maioria das pessoas já deve, pelo menos, ter ouvido falar de Malala alguma vez. A jovem, que ganhou o prêmio Nobel em 2015, fez o mundo olhar para o Paquistão e suas meninas forçadas a saírem da escola. Vítima de um atentado que quase lhe custou a vida, Malala conta sobre como foi crescer e tentar estudar em um país que não acredita em igualdade. “A importância de Malala vai além de seu prêmio Nobel. Ela é a menina que nos mostra um mundo onde mulheres continuam a ser moeda de troca e motivo de vergonha. Seu livro é uma aula que aguça não apenas a curiosidade, mas a compaixão e nos dá a triste certeza de que ainda há muito o que fazer.”. 

5) Desonrada – Muktar Mai:  Mais um relato de uma paquistanesa. Mai foi vítima de uma das leis mais antigas, tribais e absurdas que podemos imaginar: o estupro coletivo para defesa da honra. Como muitas das mulheres que vemos nessa lista, ela não aceitou a injustiça que sofreu e fez tudo o que pôde para tentar começar um processo de mudança. “No meio do caminho vemos todos os tipos de abusos de autoridade, corrupção institucional e todos os problemas de uma sociedade feita para manter o poder dos homens e a submissão das mulheres. E vemos uma mulher que não tinha as armas necessárias para lutar contra isso, mas prosseguiu apesar de tudo.”

Postado em: 5 às 5ªs

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