5 às 5ªs – Cinema Nacional
por Ragner
em 27/02/14

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O cinema nacional não tem a grandiosidade de Hollywood ou o impacto cult do cinema europeu, mas o pessoal aqui consegue realizar algumas produções que enchem os olhos e eu digo que sou mega fã de alguns filmes. Décadas atrás o cinema brasileiro era vítima da pornochanchada, mas graça à produções mais conceituais e bem elaboradas, com intenções menos sexuais ou mesmo sexistas, após os anos 80, podemos acompanhar enredos sobre sertão, favelas, subúrbios, bandidagem, comédias mil, fugindo bastante daquelas tramas desnecessárias. Alguns filmes são muito melhores que outros, alguns ainda exageram na dose de caricatura nacional, mas estamos melhorando. E isso é o que importa.

 

compadecida

1 – O Auto Da Compadecida: O filme nacional que mais amo assistir. O filme que sempre indico e que me faz um bem danado, fico rindo MUITO. O texto é lindo (creio que todos saibam que O Auto é uma peça de Ariano Suassuna), as interpretações são fantásticas e extremamente bem dirigidas. Os atores estão, ao meu ver, em suas melhores performances. O sertão, o cangaço, os trejeitos e o modo de vida do sertanejo, todos caricatos, deixam claro que a adaptação foi dirigida para proporcionar um deleite de entretenimento despretensioso e que tem tudo para agradar a todos. Leitores ou não da obra original. E ainda tem a versão mini série.

 

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2 – O Homem Do Futuro: Uma surpresa extremamente ótima. Pensava que poderia ser um filminho bobo, mas é um bobo que sabe o que estava fazendo. As questões físicas são legais, as consequências espaço/temporais são muito legais e os recados morais sobre como interferir no passado, presente e futuro são bem intencionados, sem inventar moda e contribuir sobre problemas que parecem mais do que óbvios. O filme parece meio longo, mas as indas e vindas valem a pena assistir.

 

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3 – Tropa De Elite: Tipo campeão de público, antes mesmo de ser lançado nas salas de cinema. O filme é um tapa muito bem dado na cara de uma sociedade, não só elitista (e que se fazia de cego sobre como a classe abastada ‘financia’ o que de mais podre existe) como também ignorante do quanto não se sabe como é a vida de quem dá a vida para segurança do povo e de como é a vida de quem vive no meio do furacão que é o morro, o asfalto e tudo que há em volta. O 2º filme vai além e bate ainda mais forte, deixando claro que o inimigo era outro e que estava nos mais altos cargos públicos.

 

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4 – A Mulher Invisível: A escolha não se deve só pelo fato de ter a Luana Piovani, ok, quase 100% por causa disso, mas gostei mesmo do filme, que virou seriado e eu era fã master confesso. A história é bobinha, mas a Luana está deveras mais linda do que sempre. O enredo de conceber uma mulher ideal, que faça todos nossos desejos e nos permite ser o homem que queremos ser, é realizado levando bem em conta o tipo de homem que deseja isso e a mulher que aparece nesse desejo. Um cara que tem a vida ‘destruida’ por um amor que se vai e que não concretiza bem o que sempre quis, passa mesmo a ficar só idealizando o que de fato deveria ser algo normal.

 

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5 – Carandiru: Li o livro após assistir ao filme. Gostei do que li e do que assisti. O filme é muito bem trabalhado no que é possível para poder chegar ao grande público. As cenas de massacre ficam mais no ar do que fisicamente exposto, mas está lá, os mortos dispostos pelos blocos, a aura de assassinato e morte tomam conta desde o início da rebelião até as revistas dos policiais após retalharem de tiros cada cela. Sim, eles disparam os tiros dentro das celas e depois voltam para ter certeza de que não sobrou ninguém vivo.

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