5 às 5ªs – Filmes sobre Totalitarismo e Ditadura
por Ragner
em 26/03/15

Unknown

 

A arte pode muito bem imitar a vida, e, assim, diversas vezes muito do que acontece em vida, pode ser representada com bastante realidade, pela arte. Alguns acontecimentos históricos já tiveram suas verdades levadas para o cinema, facilitando assim um aprendizado muito mais orgânico e até interessante. Além de filmes sobre a ditadura no país, há também filmes sobre regimes totalitaristas onde forças armadas concentram o poder em um regime que subjuga todo e qualquer cidadão à sua vontade. Listo aqui alguns filmes que já foram resenhados (V De Vingança e Zuzu Angel já foram resenhados pela Patrícia) e outros que precisam ser conhecidos.

 

 

1 – Equilibrium: Surgiu com toda vibe de Matrix e tentando alçar um patamar que o filme sobre a dominação das máquinas possuem até hoje, porém, mesmo sendo um ótimo filme, Matrix é Matrix. Equilibrium embarca em uma construção filosófica de que os humanos precisam tomar um remédio que elimina qualquer emoção característica que constitui a condição de livre arbítrio e até mesmo a leitura é totalmente eliminada da sociedade. Livre pensamento ou sugestão de autonomia é sumariamente extirpada. Aqui temos uma sociedade que vive seguindo todas as normas e leis totalitárias de um regime que garante supremacia de educação, segurança e mesmo saúde, porém, todos estão presos como marionetes de quem detêm o poder. Christian Bale é o soldado que a partir do contato com uma mulher que aparenta pensar diferente, o faz questionar sua realidade e depois de um dia sem o estimado remédio, ele passa a vislumbrar coisas contrárias ao que acreditava ser supremo

P.S.: Depois desse filme e quando fiquei sabendo que Bale seria o Batman, defendi que foi uma das escolhas mais acertadas no universo.

 

 

2 – Batismo De Sangue: Há tempos quero assistir ao filme e também ler o livro. Nele, um grupo de freis, ajudam a Ação Libertadora Nacional (ALN), um grupo de força armada que lutava contra a ditadura no Brasil. O livro foi escrito por Frei Betto, que junto de seus irmãos dominicanos, sofrem com as torturas do regime militar e apoiavam a luta revolucionária de comunistas que tentavam combater os abusos da ditadura. Tanto o livro quanto o filme, parecem mostrar bem todo o horror e perversidade oriunda do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (DEOPS). Seu lugar na lista é garantido, mesmo que eu ainda não tenha assistido ou lido.

 

 

3 – V De Vingança: “Por qualquer lado que você analise, o filme é uma aula de política. Enquanto a ideologia parece tomar a dianteira com frases de efeito, vemos também o que acontece quando ela é levada ao extremo. A idéia de explodir o Parlamento em um ato terrorista é visto como a única saída para que o país se livre das ervas daninhas que trabalham ali, assustando a classe política. Isso pode ser verdade. A truculência do regime que vemos no filme não é nada diferente do que muitos países – inclusive o Brasil – já experimentaram (e ainda experimentam de vez em quando). O medo que o sistema sente de pessoas que ganham consciência de seu poder sempre foi a base de respostas fortes demais e, muitas vezes, desnecessárias. É o que vemos na cena em que um policial mata uma criança só por ter se assustado com a máscara do V que ela usava.”

 

 

4 – Zuzu Angel: “O filme é alinear e vai e volta no tempo para nos mostrar que Zuzu foi uma mulher que enfrentou paradigmas desde muito cedo na vida. Com o ex marido, um americano, teve três filhos. Quando separaram-se, ela retornou com os filhos para o Rio de Janeiro apenas para conviver com o estigma de que “mulher desquitada é tudo vagabunda”. Um dia, ela recebe uma carta de um companheiro do filho narrando a morte de Stuart. Ele conta como foi a captura dos dois e como foi o processo de tortura. As cenas são fortes. Como diz um dos militares: “A tortura é uma questão de tempo…e de dor”. As torturas a que Stuart foi submetido foram coisas mais do que tenebrosas e brutais. A busca de Zuzu agora muda. Ao invés de buscar Stuart nas prisões, ela começa a buscá-lo em cemitérios. Stuart morreu sob tortura e ninguém sabe onde está seu corpo.”

 

 

5 – O Ano Em Que Meus Pais Saíram De Férias: Um filme que parece ser bem menos trágico do que Batismo e Zuzu. Aqui a história tem muita da ótica de uma criança, que está separada dos pais que fingem sair de férias, para fugir da perseguição militar, pois ambos são militantes de esquerda. Enquanto os pais fogem do país, o garoto, Mauro, vai para São Paulo ficar com o avô, mas esse morre e então Mauro acaba ficando com um vizinho judeu. A história ganha também uma importância não somente pelo período da ditadura, como também por acontecer em 1970, durante a Copa do Mundo e vai mostrando como o delírio popular com um esporte de massa e tão nacional, tira um pouco o foco da tragédia em que o país vivia.

Postado em: 5 às 5ªs

Nenhum comentário em “5 às 5ªs – Filmes sobre Totalitarismo e Ditadura”


 

Comentar