5 às 5ªs – Mulheres fictícias marcantes do cinema
por Thiago
em 27/08/15

5 às 5as

 

Vamos a lista de hoje, essa não foi nada fácil fazer. Quero falar aqui sobre 5 personagens interessantes do cinema, mas personagens mulheres. Primeiro a lista seria sobre 5 filmes com personagens que simbolizam um exército de uma pessoa só, como Rambo, Chuck Norris e essas coisas, mas achei tão batido que me deu preguiça. Depois, pensando na Beatrix Kiddo ou Mamba Negra, de Kill Bill, quis fazer sobre filmes que retratassem a mulher, vieram vários na cabeça, e não, Kill Bill não era um deles. Entretanto os filmes relevantes e que fogem de esteriótipos e dramas baratos se mostraram tão poucos e alguns interessantes eu ainda não tinha visto, que resolvi mudar mais uma vez o tema.

Finalmente cheguei a 5 personagens femininas interessantes do cinema. Digo interessantes pelo que a palavra quer dizer mesmo, não se prendem a compromissos de ser modelos de nada, são apenas interessantes aos meus olhos.

1- Beatrix Kiddo – Kill Bill 1, 2, 3

beatrix

 

 

Como motor inicial pra proposta desta lista, Beatrix não podia ficar de fora. Personagem criado pelo diretor do filme, Quentin Tarantino e a a atriz que a interpreta Uma Thurmam, mas não durante Kill Bill e sim durante outra dobradinha clássica deles, Pulp Fiction.

O interessante desta personagem é que temos uma assassina extremamente habilidosa e bem treinada, com uma sede voraz de vingança, destruindo tudo. Papéis geralmente realizados por personagens masculinos, onde movidos por questões pessoais destroem meio mundo. Tarantino muda isso, colocando uma mulher que não perde sua feminilidade e nem é vulgarizada com apelos sexuais. A personagem passa por um drama terrível, não há graça ou alívios cômicos por ser uma mulher.

A coragem de Tarantino e o talento de Uma Thurman nos mostram que não existem papéis ou histórias que devam ser contadas por personagens de apenas um gênero.

 

2- Raimunda – Volver

raimunda

 

 

Um filme de Pedro Almodóvar, isso já diz muito, ainda mais quando a Raimunda é uma das mulheres mais bonitas do cinema (na minha opinião, claro), Penélope Cruz.

O filme é incrível, a personagem é incrível e o filme é pesado. Raimunda é uma jovem mãe, trabalhadora, atraente e com um marido desempregado. Para sustentar a família acumula empregos. Em meio a diversos problemas familiares, a vida da protagonista parece um buraco sem fundo, com problemas atrás de problemas, como incesto, assassinato, álcoolismo, falta de grana. Talvez você conheça muitas Raimundas, na sua família, entre amigas, no trabalho. Talvez não com o mesmo peso dramático.

Volver é um filme que não retrata uma situação que valha apenas para o cinema. Volver é um alerta contra o machismo e as mulheres que sem resiliência se resignam a vida que tem.

Se não viu Volver ainda, sai da internet e vai.

3- Grace – Dogville

grace

 

 

Um filme bem diferente do usual, afinal estamos falando de um trabalho de Lars Von Trier, filmado todo dentro de um galpão, dando um ar teatral a película.

Aqui, Grace, interpretada por Nicole Kidman, fugindo de gângsters vai parar em Dogville, um vilarejo nas montanhas, lá pelos anos 30. Em troca de abrigo ela trabalha por duas semanas para os habitantes do lugar, depois disso haveria uma votação para permitir sua permanência na vila ou não. De início os moradores não queriam seu auxílio, mas depois permitem que ela faça serviços considerados “desnecessários”. No desenrolar do filme podemos perceber a relativização da bondade daquela sociedade para com um elemento externo.

Há aqui, em tonro de Grace uma discussão filosófica que nos remete a natureza humana. Será que somos bons ou não? Quem estava certo Hobbes quando nos diz da maldade inerente ao ser humano ou Rousseau tentando nos convencer de que somos bons, mas nos corrompemos quando estamos em sociedade?

Nicole Kidman tá impecável neste filme.

4- Holly Golightly – Bonequinha de luxo

bonequinha de luxo

 

 

Este é um filme muito importante para o cinema e esta é uma personagem marcante na história do cinema. Depois dela vieram várias “bonequinhas de luxo”, várias histórias similares e várias atrizes se baseando na interpretação da grande Audrey Hepburn.

Primeiro vale falar que o filme é adaptado de um romance escrito por Truman Capote, isto já é muito a se dizer sobre uma história (o livro já foi resenhado aqui pela Patrícia).

Hepburn interpreta aqui uma acompanhante de luxo vinda do interior e morando em Nova York a procura de um milionário pra casar. Todas as manhãs toma seu café em frente a joalheria Tiffanys para esquecer seus problemas (daí o título original “Breakfast at Tiffanys”). As coisas mudam quando conhece um escritor que é bancado pela amante e muda pro mesmo prédio que nossa personagem.

Obviamente acontece um interesse dela por ele, mas algo que vai contra seu objetivo, arrumar um partidão. Holly é uma sedutora, meio ingênua, meio firme, meio dona de si, meio sonhadora. Holly é uma mulher incrível, capaz de deixar qualquer homem maluco. Interessante que não dá pra dizer que ela é prostituta, que faz simplesmente sexo por dinheiro.

Vale aqui ressaltar que o filme e o livro, pra variar, são bem diferentes. O filme é como uma extensão do livro que se concentra nos dois personagens principais. Na relação conflituosa que se dá nessa relação e nas decisões de Holly. Buscar o príncipe encantado ou se permitir encontrar o amor, mesmo que este venha sem se desejar e na pele de alguém que não é aparentemente o que você quer. Entretanto, será que sabemos o que queremos?

5- Christina Drayton – Adivinha quem vem para jantar

Adivinhe_Quem_Vem01

 

 

Aqui temos um filme de 1967, dirigido por Stanlwy Kramer e com um elenco absurdamente íncrivel. Quem nos interessa aqui é Katharine Hepburn.

Vamos a uma breve sinopse: “Em São Francisco, Matt Drayton (Spencer Tracy) e Christina Drayton (Katharine Hepburn), um conceituado casal, se choca ao saber que Joey Drayton (Katharine Houghton), sua filha, está noiva de John Prentice (Sidney Poitier), um negro. A partir de então dão início à uma tentativa de encontrar algo desabonador no pretendente, mas só descobrem qualidades morais e profissionais acima da média.” (adoro cinema)

Vale ressaltar que ninguém ganhou mais oscars por atuação do que Katharine Hepburn, que não tem parentesco com Audrey Hepburn.

A dupla Hepburn e Tracy dão um show a parte no filme. Um casal que em teoria não teria preconceito, mas quando sua filha aparece com um namorado/futuro marido negro, as coisas mudam.

Podemos colocar como premissa do filme aquela frase nojenta: “eu não tenho preconceito mas…”, assim em boa parte do filme temos um constrangedor encontro de família, com diálogos incríveis. Conhecer os pais da namorada ou namorado é sempre algo difícil, mesmo hoje. Lembro bem da última vez que fiz isso, e o pai da ex ao saber que sou professor de filosofia quis logo saber minhas opiniões sobre várias questões políticas da época.

Talvez você se pergunte o motivo de não ter escolhido Katharine Houghton como personagem marcante, veja o filme e entenderá.

Foi muito difícil fazer esta lista, demorei mais que gostaria, percebi que preciso de um recorte melhor pras próximas listas. No fim, pra facilitar minha vida coloquei dois critérios, filmes que eu realmente tenha gostado muito e que as personagens sejam marcantes, interessantes, inesquecíveis.

Se faltou de verdade alguma personagem pra mim aqui foi Deloris, do filme Mudança de hábito, interpretada por Whoopi Goldberg. Porque mulher também pode fazer comédia sem apelar pra esteriótipos.

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