Resenha – Bandidos
por Thiago
em 22/04/15

Nota:

bandidos

Em tempos de ódio neste país tropical quero falar de Bandidos. Sim, foras da lei, criminosos, mas não através do olhar raivoso daqueles que clama pena de morte ou diminuição da maioridade penal no Brasil, também não é o olhar do Direitos Humanos e sim a visão do falecido historiador Eric Hobsbawm.

No livro “Bandidos”, lançado no Brasil em 2010, com original feito na década de 70, a discussão não se pauta simplesmente na infração de uma lei mas no banditismo social.

Para o historiador este seria um dos fenômenos sociais mais universais da história. O existir do bandido social baseia-se na luta por justiça, visto como herói libertador por algumas camadas da sociedade camponesa. É dessa maneira que o bandido social se distancia do ladrão comum, que vê os mais simples como alvos fáceis. Para Hobsbawm, o bandido social não seria capaz de se apossar da colheita dos camponeses, porém não hesitaria em tomar a terra do senhor ou do Estado.

Assim temos a discussão do certo e errado contra o lícito e ilícito. O mundo não é claro e binário, as leis, o estado como um todo, na prática não cuida dos seus. Aqueles que não nasceram com condições muitas vezes são esquecidos por aqueles que deles deveriam lembrar. O bandido social tem uma proposta, mesmo que seja uma vingança.

Hobsbawm nos seduz no livro com o conceito de bandido no início para depois nos apresentar o banditismo social e como alguém, um mero camponês se tornaria um. Sua visão é embasada com personagens históricos, elencados para ilustrar alguns tipos de bandidos presentes no livro.

Não podemos deixar de ressaltar a crítica que a análise de Eric Hobsbawm sofre, afinal a ótica marxista se faz presente no trabalho, assim como em várias obras do pensador. Esta visão, de certa maneira, justifica a ação do banditismo social, mesmo que a lei e a história não caminhem para este lado. Prefiro ver o livro como uma análise do que é, por muitas vezes, considerado crime, no caso desobediência civil.

A luta por melhores condições de vida, as manifestações, mesmo que violentas, o roubo, a raiva, pode ser vista não apenas em livros de história, mas em filmes e nos jornais todos os dias. Hoje através da internet temos mais ângulos das mesmas histórias.

Os Robin Hoods ou Lampiões desafiaram o estado, assim, os analisando hoje, com o auxílio de Hobsbawn, a hsitória ganha detalhes e cores, cheiros e difentes pontos que simplesmente passam desapercebido pela turba colérica que berra “Bandido bom é bandido morto”.

Quero fazer diferente e fechar com uma pergunta: quais bandidos sociais você consegue identificar, tanto na ficção quanto no mundo real?

Boa leitura a todos!! eh

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