Dica de curta-metragem – Ilha das flores
por Ragner
em 30/09/19

Nota:

Quando eu estava no Ensino Médio, em uma aula de Sociologia do 3º ano, o professor passou para nós, alunos, o curta Ilha das flores. Assisti como se fosse um documentário, explicando diversas realidades que discutia nossa sociedade e convívio social. O curta que tem torno de 13 minutos, me ensinou sobre a fome, sobre a diferença de classe e sobre nosso polegar opositor (o que nos difere, também, dos outros mamíferos).

Ilha das flores foi uma das primeiras produções áudio visuais que me impactou sobre o desperdício, o descaso com a população pobre e a realidade da desigualdade social. Eu já me julgava uma pessoa que debatia sobre luta de classes e posicionamento socioeconômico político-cultural e depois de assistir esse curta (junto com o filme A onda, com uma versão já resenhada aqui) me senti mais impelido à esse tipo de posicionamento.

O Curta nos apresenta, de maneira metódica e precisamente bem estruturada, a produção, desde a plantação de um alimento (aqui no caso o tomate), sua produção, comercialização, consumo e no final, seu descarte. E é no descarte que observamos como a população pobre e menos favorecida, consegue fazer uso e consumo do que não presta mais para quem consegue comprar o que há nas prateleiras de supermercados.

Ilha das flores é o nome de um bairro na região metropolitana de Porto Alegre. O curta documentário ganhou o urso de prata no festival de Berlim em 1990. Com um enredo que mescla dados científicos e considerações bem ácidas e também irônicas, acompanhamos o processo que mostra a segregação humana e que fundamenta um sistema de desigualdade, deixando algumas pessoas atrás de porcos na prioridade para se alimentar, por não terem poder aquisitivo.

Muitos anos depois, mais precisamente esse ano de 2019, descobri que o curta não é de todo verdadeiro, que é definitivamente uma obra ficcional e que muitas das pessoas que são retratadas, são na verdade personagens criadas para apresentar uma realidade maquiada (mesmo que com tons verídicos). Nesse documentário logo a baixo, temos o retrato da Ilha das flores depois que a sessão acabou.

Mas o que deveras importa, é que a realidade não está longe do que foi exposto em Ilha das Flores. Pode até não ser o que acontece no lugar, mas diz muito sobre o que acontece em diversos outros lugares, com várias outras pessoas. Isso não há como se negar ou fazer de conta que não existe. Vale a pena assistir.

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