Dica de estreia – Matrix Resurrections
por Ragner
em 22/12/21

Nota:

22 anos depois do 1º filme, Matrix retorna para deixar claro que uma franquia já consolidada, pode ainda se reinventar e evoluir. E não somente com protagonistas ou antagonistas, mas também com enredo, narrativa, inclusão de pautas fundamentais e direcionamento para novos caminhos. Tudo que aconteceu nos outros 3 filmes, aqui é atualizado, pensado para trabalhar assuntos e condições, que existiam na época e que hoje precisam de um novo olhar. Sim, Matrix 4 não é um reboot, é uma continuação, porém é um filme que lembra diversas vezes pontos cruciais dos outros, com um olhar renovado e escancaradamente atual. O debate filosófico de 1999 é reestruturado e autenticado com diálogos estruturais do novo século. Para quem está atento ao que toma grandes proporções hoje em dia, não terá grandes surpresas nessa sequência.

A história aqui começa muito parecida ao 1º Matrix, cenas parecidas, diálogos parecidos e então personagens são inseridos, tomadas de decisões acarretam mudanças de direcionamento e entendemos como o enredo garante a existência desse 4º filme em uma metalinguagem que funciona muito bem. Desde o fim de Revolutions, nada indicava a necessidade de um outro filme. A história até ali já tinha servido muito bem e o final dos protagonistas – Neo e Trinity – estavam estabelecidos, mas o mundo mudou bastante de duas décadas para cá e novas cores, novas tecnologias, questões como empoderamento, diversidade e até mesmo condutas socioculturais, ganharam contornos e significados diferentes.

Thomas Anderson aqui é um designer de jogos eletrônicos e tudo que ele tinha vivido, como em um sonho, é colocado na construção de um jogo consagrado por todos. A humanidade sabe que Matrix existe e convive com ela, pois, aparentemente, não passa de um jogo e aqui temos uma história dentro da própria história. Mas décadas depois (e aqui não é somente 20 anos), um e outro ser humano acorda e volta a combater o mundo das máquinas (que não se mantiveram em paz como tinha sido acordado). E aqui temos o sr. Anderson, entre reminiscências, sonhos e lampejos de algumas lembranças que o faz ir constantemente a um terapeuta e tomar diariamente uma famigerada pílula azul.

Matrix Ressurrections ganha corpo de manifesto. Enquanto nos trailers parece que assistiríamos uma tese filosófica sobre novas tendências escravagistas tecnológicas, o filme em si vai além e vemos uma diretora que, também, insere o protagonismo feminino como peça fundamental e necessária (mesmo que algumas possam achar panfletário e descartável). Essa 4ª sequência não inova em cenas mirabolantes, como os antecessores, mas ganha com argumentos e fotografia, não tem as cenas de ação de combate como os anteriores, mas se sustenta com posicionamento e atualização. Resurrections é uma ressurreição que renova, evolui e garante o lado blockbuster para novos fãs.

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