Dica de estreia – Adoráveis Mulheres
por Bruno Lisboa
em 09/01/20

Nota:

Greta Gerwig aos poucos vem se firmando com umas das atrizes mais versáteis do cinema do cinema moderno. Prova disso, é o fato de que para além de estar em frente as câmeras em produções elogiadas como O plano de Maggie. Mistress America e Mulheres do século XX, Greta já provou que seus predicados se estendem para os bastidores.

Seja como co-roteirista de Frances Ha (filme feito em parcearia com o diretor Noah Baumbach) ou como roteirista/diretora (Lady Bird, que foi citada aqui), filme que acabaria por render 4 indicações ao Oscar (incluindo direção e roteiro), Gerwig tem conseguido colocar em evidência o seu trabalho, numa seara em que o patriarcado ainda se faz presente. E como total afronta a este sistema Greta fez aquele que seria o seu mais ambicioso projeto: a adaptação para as telas de Adoráveis Mulheres, livro de Louisa May Alcott.

Escrito no século XIX, Adoráveis Mulheres Alcott é ambientado na época da guerra civil norte-americana e traça um retrato fidedigno de uma sociedade machista que delega a mulher a reprisar papéis datados (já naquele período), não a permitindo-a seguir seus próprios caminhos e desejos. E para combater este malfadado ideal, Louisa faz da voz e a trajetória de sua heroína central (a escritora Josephine “Jo” March) e as suas irmãs (Meg, Amy e Beth) um instrumento em prol da mudança de paradigma.

Para a adaptação deste clássico da literatura mundial para o cinema Gerwig manteve a essência de texto original no roteiro de sua autoria, distribuindo e trabalhando de forma equilibrada cada personagem, dando tempo necessário em tela para que possamos compreender as camadas que os revestem.

Não obstante, a diretora e roteirista contou com um elenco estelar para viver a trajetória da família March. Na ala feminina Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh e Eliza Scanlen interpretam as irmãs e as fazem de maneira verossímil, com atuações que trazem para o espectador características de composição saltam e agradam aos olhos. Laura Dern e Meryl Streep e Jayne Houdyshell surgem em segundo, mas de forma brilhante e memorável, numa competência que lhes era esperada. Assim também o é a ala masculina formada por Timothée Chalamet, Chris Cooper, Louis Garrel, Bob Odenkirk e James Morton.

Outros pontos que também contam a favor são a fotografia e a direção de arte/figurino que buscaram por manter vivas as tradições do período em que a obra foi gerada e, para tanto, criaram uma ambientação fidedigna. Assim também o fez Alexandre Desplat que criou a trilha sonora inspirada em peças clássicas e conseguiu criar o background adequado para momentos marcantes do filme.

Em seu voo mais audacioso, Greta Gerwig conseguiu criar um longa marcante, numa adaptação que faz jus ao texto atemporal de Alcott, que apesar da inúmeras adaptações para o cinema e o teatro, ainda consegue trazem questões que ainda são pertinentes, que carecem de evolução/revisão em tempos de claro retrocesso, principalmente no que tange a mulher e o seu papel em nossa sociedade.

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