Dica de Estréia – Pantera Negra
por Ragner
em 23/02/18

Nota:

 

O mais novo filme do Universo Marvel estreou semana passada e fui assistir correndo. Estava ansioso para constatar se o filme escaparia da fórmula Marvel de cinema (cheio de comédia), se teria um enredo recheado de discurso politizado, se o elenco seria mesmo majoritariamente negro e se poderia ser aclamado como o melhor filme dentro desse Universo da Casa Das Ideias. Durante a resenha vocês compreenderão toda minha aprovação e comprovação do que foi divulgado. Pantera Negra se encontra no patamar dos melhores fácil e as demais questões são comprovadamente aplaudidas. Desejo deveras que a 4ª fase cinematográfica dos heróis Marvel siga por esse caminho.

Logo após o lançamento do filme e os recordes de bilheteria muito tem se falado do quanto Pantera Negra quebra paradigmas e discute a importância de um filme sobre uma nação negra ser soberanamente interpretada por negros. Mas também ganhou alguns comentários desnecessários e desconectados com o que pode ser considerado realidade.

Pantera Negra é um filme sobre a nação mais tecnologicamente avançada do Planeta, uma nação negra. Mas o filme não é exclusivamente para negros (como alguns patetas fizeram questão de discutir por aí) ou discute o avanço futurista de um povo. O filme sobre Wakanda é sobre política, questões humanitárias, o povo africano e a força da mulher. Sobre política e questões humanitárias falaremos daqui a pouco, mas já quero deixar claro o que vi sobre o povo africano e a força da mulher. A África é um continente majoritariamente negro e Wakanda é um país fictício escondido do mundo, que possui tecnologia e riqueza que ultrapassa qualquer outra nação. O povo em Wakanda é feliz e maravilhosamente colorido, todas as tribos possuem vestimentas, acessórios, simbologia e cores que remetem suas origens e isso é absurdamente fantástico no filme pois representa vários povos e tribos africanas em todo o continente. Em relação a força da mulher o que tenho a dizer é que a guarda oficial do trono e do seu governante é formidavelmente representado por mulheres que dizimam o esteriótipo de “sexo frágil”. As Dora Milaje são uma representatividade que julgo deveras consistente e poderosa.

Antes de entrar nas questões política e humanitária, é interessante contar um pouco sobre a historia do filme. Pantera Negra versa um pouco sobre a origem do personagem, como se deu início à riqueza do metal Vibranium e a evolução tecnológica de Wakanda. As cenas iniciais também apresentam personagens fundamentais para a história. Logo após os acontecimentos de Guerra Civil (terceiro filme do Capitão América), com a morte do pai, T’Challa se torna regente da nação africana e precisa mostrar que é um soberano capaz de governar com força e sabedoria. T’Challa tem a ajuda da sua irmã Shuri (responsável pelos projetos tecnológicos e armamentistas do país), da guerreira Okoye (líder das Dora Milaje) e da espiã Nakia (membra das Dora Milaje que atua como agente secreta mundo a fora e ex-namorada de T’Challa). Enquanto o novo rei precisa capturar o inimigo Ulysses Klaue, por tráfico de Vibranium e crimes contra Wakanda, o reino descobre que acontecimentos no passado podem esconder segredos que estremecem questões de lealdade e pode abalar o trono.

O mote do filme é esse e tudo que envolve o vilão – Killmonger – pode mesmo garantir seu lugar entre os melhores ou o melhor até agora de todos os que já apareceram nos 10 anos cinematográficos da Marvel. O discurso de Killmonger no final e sua motivação faz com que seja possível alguma empatia com ele. Pantera Negra trabalha o debate político, de segregação e sobre refugiados em paralelo com as ações de T’Challa, de Nakia e Killmonger. É quase impossível separar algum tipo de ativismo que permeia essas três questões no argumento do filme. Wakanda é vista como uma nação que pode ou não aceitar refugiados, ou outras nações, em seu território; como uma nação soberana capaz de contribuir com questões políticas e tecnológicas junto à outras nações, não esquecendo a questão de segregação racial e humanitária.

Pantera Negra merece o boom que vem criando, merece os aplausos da crítica, mas não é perfeito exatamente na questão tecnológica, já que o CGI para as cenas de luta travada entre o protagonista e o antagonista, peca pela imperfeição. O que ironicamente fica estranho, já que Wakanda sendo um país ultra tecnológico e avançado, não apresenta sua absurda evolução quando herói e vilão brigam pelo trono. Mas só isso faz com que o filme não garanta as nossas 5 canecas do mais delicioso café. Dito tudo isso, deixo vocês com: “WAKANDA FOREVER”.

P.S.: Há duas cenas pós créditos.

 

 

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