Dica de filme – Dois Papas
por Ragner
em 10/02/20

Nota:

Karol Wojtyła – Papa João Paulo II – foi um Papa diferenciado, mas que ainda trabalhava de maneira estruturada no conservadorismo católico. Vossa Santidade dialogava bem com conceitos progressistas, mas não chegou a promove-los como o atual Papa, o Francisco. E hoje podemos observar muito bem como o pensamento de mudança está presente na Igreja.

Joseph Ratzinger – Papa Bento XVI – o Papa que sucedeu João Paulo II após a sua morte, foi um pontífice notoriamente conservador e que não promovia mudanças. Representava a figura da autoridade que segue as regras dogmaticamente.

Dois Papas apresenta encontros de Ratzinger e Jorge Bergoglio – Papa Francisco I – quando Ratzinger já considerava sua renúncia ao cargo de chefe supremo da Igreja Católica. O filme é um drama ficcional que esclarece muito mais os conflitos filosóficos e morais dentro da Igreja, do que os encontros entre os dois sumo sacerdotes (tais encontros não se deram como está no filme). Bento XVI é conservador e Francisco é progressista. Aqui temos duas visões opostas sobre vida e fé, sobre a função da Igreja na sociedade e na vida dos fiéis.

O fato do filme ser inspirado em fatos reais me fez gostar mais ainda da história que trabalha duas realidades dentro da Igreja. Todos sabemos como os dogmas cristãos alicerçam a cultura católica, sabemos como a Igreja se fundamenta em conceitos que se assumem pragmáticos, mas podemos muito bem entender como as mudanças são necessárias. E é aqui que o filme se torna ainda mais gostoso de se assistir. Mesmo que os encontros entre Ratzinger e Bergoglio não tenham acontecido como está no filme, as ideias dos dois, as verdades defendidas por ambos são verossímeis. As personalidades dos dois caracterizam os fatos reais.

Outra maravilha do filme são as atuações formidáveis de Anthony Hopkins – Ratzinger – e Jonathan Pryce – Bergoglio – que conseguem expor, de maneira confiável, peculiaridades dos dois Papas. Enquanto Bento XVI é sisudo e sem carisma, Francisco I é acessível e simpático. Um almejava o alto cargo, mas assumiu que o melhor estava na mudança, o outro se interessava mais pelo bem do povo e depois aceitou o fardo de reconstruir a Igreja. Assim como o próprio Francisco quando ouviu o chamado de Deus.

Dois Papas é um baita filme. Um filme que merece ser assistido e interpretado por um olhar conciliador, pois vivemos em tempos sem muito diálogo e com grandes conflitos.

“Estamos vendo globalização da indiferença. Há uma cultura de conflito que nos faz pensar em nós mesmos, que nos faz viver em bolhas…onde o amor é insubstancial. Nos acostumamos com o sofrimento dos outros, ele não nos afeta. Ninguém se sente responsável. Quem é o responsável pelo sangue dos nossos irmãos e irmãs? Dos refugiados no Mediterrâneo? Não tenho nada a ver com isso, deve ser outra pessoa, com certeza não sou eu.”

Quando ninguém é culpado, todo mundo é culpado.

Postado em: Dica de Filme
Tags:

Nenhum comentário em “Dica de filme – Dois Papas”


 

Comentar