Dica de série – Cobra Kai
por Ragner
em 16/05/18

Nota:

 

Considero nostalgia algo maravilhoso, curto o que me deixa saudosista de momentos e situações que fizeram parte da minha história. Cobra Kai exerceu exatamente isso quando assisti. Série produzida pelo YoutubeRed – plataforma do Youtube dedicada a séries – e disponível por uma singela taxa de R$3,90 por episódio, mas os dois primeiros episódios são grátis. Cobra Kai possui 10 episódios e já foi confirmada para 2ª temporada.

A história se passa 34 anos após os acontecimentos do primeiro Karate Kid e mostra como estão nossos (queridos) protagonista e antagonista. Uma coisa que adoro discutir é que TODA história tem dois lados e aqui temos os desdobramentos da rivalidade entre Johnny Lawrence (William Zabka) e Daniel LaRusso (Ralph Macchio), vislumbrados pela ótica de Johnny. E se tem algo que deixa a série ainda mais formidável e maravilhosa, é que podemos enxergar ambos sem maniqueísmos. Sob o olhar de Johnny, Daniel nunca foi o garoto que sofria nas mãos dele. O bad boy teve uma adolescência conturbada, LaRusso “roubou” sua namorada, começou a persegui-lo quando usou uma mangueira para jogar água nele dentro do banheiro e além disso tinha um Sensei que era ditatorial e severo demais.

O Johnny adulto é um “faz tudo”, derrotado, coberto de dívidas e um quase alcoólatra, enquanto Daniel é um bem sucedido dono de concessionária de carros de luxo. O seriado equaciona nossa consideração pelos dois, mostrando um derrotado com humanidade e que nos enche de empatia, e um bem sucedido com muitos momentos de babaquice, nos faz torcer para o valentão de outrora e nos deixa achar chato o garoto que aprendeu a cultivar bonzais. Os arqui-inimigos cresceram, constituíram família, perderam, ganharam e atualmente vivem de acordo com novas verdades. Verdades essas que fazem suas vidas se cruzarem novamente no momento em que Lawrence precisa buscar seu carro batido na concessionária LaRusso.

O lado bom de Johnny nos é apresentado quando ele ajuda um garoto (versão Miyagi dessa história) e acaba com um pupilo. Tal pupilo é Miguel Diaz – garoto imigrante que começa como parte dos perdedores – que não baixa a cabeça para os populares da escola. Enquanto Miyagi tinha apenas Daniel como aprendiz, Diaz convence seus colegas a aprenderem Karate e a se defenderem de bullying, e aqui temos um Johnny bastante humanizado, que se arrepende dos erros com o próprio filho Robby Keene, mas que não consegue se aproximar e ter qualquer relação com ele. Daniel também tem seus problemas, mesmo procurando o equilíbrio sempre, mas a vida tem suas nuances. Não tem mais o companheirismo da filha/aluna Samantha LaRusso, mas acaba encontrando no novo empregado Robby Keene, o pupilo que sempre desejou.

Para fortalecer ainda mais o que podemos chamar de “treta” na vida dos dois inimigos de adolescência, Miguel começa a namorar com Samantha, mas o pai a proíbe de se envolver com qualquer aluno do renovado Dojo Cobra Kai. Os episódios trabalham as desavenças dos dois como se não houvesse certo e errado, muito menos bem e mal, somente visões de duas pessoas que há anos tiveram desentendimentos. Outro acerto da série são os flashbacks do filme original e a versão de cada um em momentos representativos de suas vida.

O seriado não é uma obra prima, possui alguns problemas de atuação (não dos principais) e de coreografia (as lutas são bem lero lero), mas consegue entregar algo que fãs de Karate Kid e senhores 80tistas com certeza irão amar. Muitos conflitos seguiam para a resolução, mas algumas reações equivocadas e interpretações adiantadas deixaram mais questões no ar e isso vai ajudar muito na narrativa para a 2ª temporada. E assim seguimos com o rabugento e amargurado Johnny e o sempre “em busca de equilíbrio” Daniel, para novas aventuras.

Cobra Kai vale muito a pena.

 

 

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