Netflix com o Poderoso – Dear White People
por Bruno Lisboa
em 22/05/17

Nota:

 

Não é de hoje que o universo da séries tem oferecido ao grande público produtos de altíssima qualidade. E uma das maiores produtoras desta seara é a Netflix que nos últimos anos tem em seu cast produções valorosas que, de alguma forma, conseguem alinhar conteúdo e entretenimento em mesma medida. House of Cards (série sobre o universo da política já resenhada aqui), Love (o amor nos tempos modernos resenhada aqui) e a polêmica 13 reasons why (já resenhada aqui) são alguns exemplos. E você pode colocar nesta seleta lista a recente Dear White People. A série é baseada no longa de mesmo (lançado em 2014 e premiado no festival de Sundance) tendo Justin Simien como diretor e roteirista de ambas as versões.

Como já anunciava o “polêmico” trailer (que alcançou alto índice de rejeição no Youtube) a série é uma afronta positiva ao preconceito em sua mais variadas esferas. Com temáticas ligadas ao racismo, a apropriação cultural, a violência policial, a supremacia branca, solidão, entre outros temas como bem pontou esta matéria da revista Trip, seus 10 curtos capítulos (30 minutos cada em média) podem dar a impressão de perpassar de maneira apressada sobre tantas abordagens, mas este fatídico erro não acontece.

O enredo, multifacetado, aborda o dia a dia de um grupo diverso de estudantes universitários americanos negros que enfrentam, diariamente, as agruras de viver numa sociedade onde ao homem branco são destinados todos os direitos e privilégios em detrimento ao negro.  Cansados desta realidade, a radialista do controverso programa Dear White People (Cara gente branca) Samantha White (a atriz Logan Browning) incita a revolução junto aos seus colegas de instituição Reggie (Marque Richardson), Troy Fairbanks (Brandon P Bell), Colandrea “Coco” Conners (Antoinette Robertson) e Lionel (DeRon Horton)  a partir do momento em que estudantes brancos criam uma festa “blackface” na instituição. Na mesma todos devem ir caracterizados como personalidades negras e com rostos pintados (?).

Dirigida de maneira elegante e virtuosa, a série é muito bem fotografada e editada com cortes rápidos mantendo de maneira pontual o ritmo da narrativa. Ao mesmo tempo não perde oportunidades de deixar clara as suas referências, seja pelo lado cômico de Do the right thing (filme de Spike Lee) ou pelo lado estético de Persona (clássico de Ingmar Bergman). O ótimo resultado alcançado aqui em muito se deve ao time de diretores que dirigiram os episódios, como o trabalho feito por Barry Jenkins, responsável por Moonlight (longa recém premiado no último Oscar), que dirige o quinto episódio.

A trilha sonora, por mais que ocupe papel secundário, contém o supra sumo do que de melhor o rap e o r&b produziram nos últimos tempos seja com veteranos como o A Tribe Called Quest (“We the people”), J Dilla (“Fuck the Police”) ou recém chegados como o Run The Jewels (“Legend has it”) ou Childish Gambino (“Rebbone”).

Por mais que 13 reasons why tenha suscitado, positivamente, discussões é estranho pensar que o barulho feito pela primeira tenha sido, até então, muito maior do que Dear white people. A série é uma produção que não só merece ser vista como também discutida. Afinal muito do que é exposto pela série diz respeito aos nossos tempestuosos tempos, propondo, inclusive, de maneira clara que há muito a ser mudado.

Postado em: Netflix, Semana de Cinema
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