Netflix com o Poderoso – Designated Survivor – 1a temporada
por Patricia
em 24/01/17

Nota:

Anualmente, o Presidente norte-americano faz um discurso conhecido como State of the Union em que resume o estado atual do país, delineia a agenda legislativa e as próximas prioridades nacionais. É um discurso feito no Capitólio, na frente de todo o Congresso. Ali presentes estão os principais representantes do país nos três poderes. Durante a Guerra Fria, a ameaça de um ataque nuclear fez com que o Governo criasse a figura do sobrevivente designado: um representante do Governo era escolhido para ficar afastado do Capitólio em caso de um ataque durante o discurso de modo que o país pudesse continuar funcionando, digamos. Esse é o tema central da série do Designated Survivor.

A série começa quando Tom Kirkman (Kiefer Sutherland) – o sobrevivente designado para o discurso – descobre que o Capitólio sofreu um atentado terrorista que matou os principais membros do Governo do país. Basicamente, o Governo americano agora se resume a ele que era apenas o Secretário de Habitação e torna-se….bom, Presidente. Sem experiência, sem aliados políticos, sem nem ter certeza de que quer a vaga, ele precisa assumir um país traumatizado em um cenário global nada positivo.

Essa primeira temporada tem como enredo principal um complô a ser desvendado que parece ter afetado o mais alto escalão do Governo. O ataque ao Capitólio parece ter sido apenas o começo.

A série acaba levantando diversos temas interessantes: da legitimidade do poder – Kirkman assumiu a Presidência sem ninguém ter votado nele (é), à construção de um Governo devastado e a guerra que parece surgir no horizonte com o ataque terrorista. Além disso, Kirkman também precisa enfrentar uma imprensa hostil e ajudar sua família a se adaptar a essa nova realidade. Tudo isso enquanto decide que tipo de Presidente ele quer ser e até onde a máxima “o poder corrompe” se aplicará a ele – essas questões são alguns dos pontos altos da série.

Designated Survivor tem um bom ritmo, mas aposta muito em clifhangers* não apenas entre capítulos – a série termina em um suspense monstruoso para gerar expectativa para a próxima temporada. Algumas cenas são previsíveis e alguns sub-enredos também, tal como a tentativa de um romance entre os assessores de Kirkman que se odiavam no começo e aí…bom, acho que já sabemos o que acontece né?!

A série tem o selo “Original Netflix”, mas faz parte de um acordo diferente da gigante do streaming com a televisão norte-americana. No caso dessa série, que originalmente é televisionada pela rede ABC nos Estados Unidos, o acordo é que os episódios cheguem à Netflix uma semana depois que forem ao ar nos EUA. Justamente por isso, todos os capítulos da temporada não são disponibilizados de uma vez como acontece com a maioria das séries 100% originais Netflix.

Das grandes séries políticas, continuo achando que The West Wing é a mãe de todas. House of Cards atualmente carrega a tocha, mas no que tange Designated Survivor, ainda falta alguma coisa para chegar ao mesmo patamar – talvez se sustentar menos em reviravoltas ou enredos novelescos e se entregar aos temas a que se propõem (citados acima). A série poderia fazer muito com esse debate sobre a legitimidade do poder e a construção de um Estado pós um ato terrorista.

Sutherland interpreta bem um Presidente reticente (um outro ponto alto da série) e a expectativa é de que na 2a temporada ele consiga desenvolver sua persona como Presidente no comando de uma nação, além de, claro, resolverem a questão do complô porque essa é uma questão que não poderá ser arrastada por diversas temporadas porque a novidade vai passar rápido.

A primeira temporada foi mediana – com altos e baixos razoáveis (o ponto mais baixo foi o sub-enredo sobre a real paternidade do filho de Tom). Tenho certa expectativa para a próxima temporada mas nem de perto sinto a mesma antecipação que me acompanha com House of Cards. A segunda temporada de “Designated Survivor” estréia em Março.

*Cliffhanger é um mecanismo narrativo em que o autor suspende a ação no meio da cena para gerar uma antecipação pelo próximo capítulo ou pela obra seguinte. 
Postado em: Netflix, Semana de Cinema
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