Netflix com o Poderoso – Lady Gaga: Five foot two
por Patricia
em 27/09/17

Nota:

 

A Netflix lançou esse mês o documentátio Lady Gaga: Five Foot Two – que nos apresenta uma visão mais intimista da vida da cantora – os bastidores de uma das cantores mais aclamadas, polêmicas e chamativas do pop recentemente – da produção do novo álbum até o momento recente definitivo de sua carreira – a apresentação no SuperBowl.

No documentário, Gaga comenta sobre sua vida pessoal – explicando que à medida em que fica mais velha, ela tem menos paciência para certas babaquices masculinas. Muitas de suas conquistas parecem ter vindo às custas de um relacionamento: quando conseguiu o papel principal na adaptação de Nasce um estrela (que está agendado para ser lançado ano que vem), ela terminou o noivado com o ator Taylor Kinney; quando fez seu show no intervalo do Superbowl, perdeu uma de suas melhores amigas um mês depois para o câncer; quando vendeu 10 milhões de álbuns, terminou um namoro. Em uma das cenas mais tristes, a cantora abre o coração: “Estou sozinha, Brandon, todas as noites. Todas essas pessoas vão embora. Certo? Elas vão embora. E eu ficarei sozinha. Eu vou de várias pessoas me tocando o dia todo e falando comigo o dia todo para um completo silêncio.” 

Além disso, acompanhamos também a cantora enfrentando dores intensas resultado da fibromialgia: síndrome que causa dores na musculatura e que ainda não tem cura. Gaga aparece chorando ou paralisada pela dor em algumas cenas. Em outros momentos, a cantora discute sua relação com mulheres na música – principalmente com Madonna que manifestou achar a “Mama Monster” redutiva – ou seja, que ela cria conceitos básicos e superficiais inspirados em obras alheias (a própria Madonna comenta que sente que influenciou Gaga consideravelmente). Gaga rebate no documentário, dizendo que não gostaria de ter descoberto isso pela TV e, sim, pela própria Madonna. Essa conversa acaba por aqui. Em nenhum outro momento o assunto ressurge. A cantora também fala sobre sua própria luta para ser ela mesma quando executivos querem que ela seja algo diferente (a mulher sexy X a mulher interessante, por exemplo).

Em grande parte, o documentário é feito por uma câmera única controlada pelo próprio diretor. Gaga pediu que as filmagens não interferissem na produção de seu mais recente álbum – Joanne – e, por isso, não foi possível trazer uma equipe completa para as filmagens. Isso acaba deixando o filme com um estilo mais intimista, como se fôssemos convidados a participar da vida (e das dores) da cantora, que todos achavam que era mais uma personagem. De fato, Gaga aparece muito mais crua aqui – tendência que ela também explora em Joanne. Vemos várias cenas dela chorando e em consultas médicas.

Ao ler tudo isso você pode achar que temos uma visão de Gaga completamente inédita ou intimista. Mas, na verdade, o documentário deixa uma sensação de superficialidade ou de intimidade forçada. Não acredito que conhecemos mais da cantora depois de assistir os 100 minutos dedicados a ela. Aliás, quem não sabe nada de Gaga pode perder várias coisas porque o diretor não nos apresenta a cantora ou sua carreira. Ela sofre, ela chora, ela tem momentos de tristeza…o que faz dela uma pessoa normal. Talvez isso seja novidade para quem considera famosos e ricos acima do bem e do mal, mas a essa altura da vida, acho que já vimos muitos documentários sobre celebridades para saber que certas coisas afligem a todos. Aliás, mostrar o lado “humano” de uma celebridade é um mote bem padrão de documentários desse tipo.

O documentário é sobre Lady Gaga nos últimos 2 anos e temos apenas uma breve montagem sobre modelitos malucos que ela já usou em encontro com fãs. Pouco sobre sua carreira no início, suas dificuldades para se firmar no cenário pop ou a importância da cultura gay para quem ela é hoje. Até mesmo a questão do comentário da Madonna não é explicado – tive que pesquisar o que ela disse para entender a cena. Portanto, se você é um iniciante em Lady Gaga, esse documentário pode não trazer quase nada de interessante.

Postado em: Netflix, Semana de Cinema
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