Netflix com o Poderoso – Mindhunter
por Bruno Lisboa
em 22/11/17

Nota:

 

Cena 01: De um lado um jovem armado tem uma senhora como refém e deseja ardosamente a presença da esposa no local. Se isto não acontecer algo pior pode suceder. Do outro a polícia local age de maneira truculenta com ameaças e dezenas de armas apontadas para o sequestrador. Tensão no ar. Então eis que um agente do FBI chega para apartar a situação optando por uma abordagem de diálogo, tentando atender aos anseios do rapaz, entender os reais motivos que levaram a tal situação, visando resolver o conflito. Por mais que hoje este tipo de prática policial seja mais comum, seja na vida real ou como hollywood e várias séries de tv já trabalharam, na época (final dos anos 70) esta prática era incomum. E a série Mindhunter pega carona neste período de transformação.

Baseado no livro de mesmo nome (lançado por aqui pela Intrínseca), escrito pelo agente John E. Douglas, que aborda algumas das experiências vividas por ele, numa época em que não se pensava ser possível alinhar psicologia comportamental ao universo da investigação criminal.

Esta nova produção da Netflix tem em seu enredo a luta travada por Holden Ford, personagem inspirado em John Douglas, e seus asseclas em criar uma linha de pesquisa dentro do FBI fundamentada em assassinatos em série que, na época, começaram a se tornar cada vez mais populares nos EUA. Para tentar entender o que passava na cabeça de um assassino, Ford, junto do também agente Bill Tench e a psicóloga Wendy Carr começam a organizar visitas a presos por assassinatos para, a partir de entrevistas, tentar encontrar um perfil/padrão dos motivos que os levam a cometer tais crimes, visando que no futuro se consiga evitar que algo nesse sentido aconteça. A medida em que as conversas ocorrem a cada cidade em que eles visitas surgem oportunidades de lidar in loco com casos recém-acontecidos.

Sem se ater somente a casos e entrevistas, acertadamente o roteiro de John Penhall aborda a vida pessoal de cada um dos protagonistas, mostrando que por mais que seja necessária frieza impar para lidar com as situações vividas é praticamente impossível “deixar passar batido”. Todos acabam, querendo ou não, sendo gradualmente abalados em vários sentidos (fisicamente, psicologicamente…) e de maneira irreparável.

A série é dirigida (essencialmente) e produzida com a elegância habitual de David Fincher que, como poucos, sabe criar atmosferas adequadas para suas produções. Prova disso é a uma trilha sonora classuda (com hits e raridades setentistas), uma fotografia chiaroescura (alternando de maneira equilibrada a luminosidade e a escuridão), e retirando de seus atores atuações acima da média, com destaque para a tríade formada por Jonathan Groff (Holden Ford), Holt McCallany (Bill Tench) e Anna Torv (Wendy Carr) que imprimem em seus personagens a veracidade necessária.

O final em aberto deixa em suspenso a série que deve ganhar outras temporadas. Assim esperamos.

 

Postado em: Netflix, Semana de Cinema
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