Netflix com o Poderoso – O Justiceiro
por Ragner
em 20/11/17

Nota:

 

Sempre acompanho o que é desenvolvido sobre o Batman, Wolverine, Demolidor, Justiceiro e Spawn, e quando foi anunciado que seria realizado uma série sobre o cara com a caveira no peito (O justiceiro), fiquei não somente ansioso como também deveras empolgado. Jon Bernthal não seria minha escolha (como já comentei na resenha sobre a 2ª temporada de Demolidor), mas tanto sua aparição em Demolidor quanto em sua própria série, posso dizer sem qualquer ressalva de que ele faz jus ao papel. Sou fã do Thomas Jane na pele de Frank Castle, mas gostei muito do Jon fazendo justiça.

O Justiceiro já teve 3 filmes bem distintos entre si e a única coisa que os une é o protagonista e sua tragédia familiar, de resto, tudo foi apresentado de maneira distinta. Na série lançada pelo Netflix temos mais um Justiceiro (aqui um ex fuzileiro no lugar de policial) e aqui as adaptações condizem com o tempo presente, junto com a loucura da guerra no Afeganistão e seus traumas e as tecnologias atuais. Esse novo Justiceiro é encarnado cheio de determinação, sendo profundamente metódico, insanamente vingativo, amargurado e extremamente atormentado. O que serviu muito bem e Jon conseguiu caracterizar tudo isso de maneira mais do que satisfatória.

A história aqui gira em torno de acontecimentos durante uma missão em Kandahar no Afeganistão. As consequências dessa missão parecem ser responsáveis pelas mortes da esposa e do filhos de Frank Castle. Depois dele ter matado todos os que julgava culpados, ele descobre que o que aconteceu na guerra pode estar relacionado com segredos de estado e pessoas que ele não desconfiava. Castle encontra amigos e inimigos pelo caminho, alguns agentes dispostos a desvendar respostas, outros que querem ajuda-lo custe o que custar e conhecidos que desejam sua morte. Castle precisa descobrir em quem confiar e ainda assim continuar enfrentando seus traumas.

Tanto enredo e narrativa seguem por vias que alternam violência e momentos de calmaria. Frank Castle não está sozinho e nos primeiros episódio conhece Micro, um analista que já trabalhou para o governo e que usufrui da própria “morte” para salvaguardar sua família, expondo os podres da guerra. Castle ainda tem a ajuda de Karen Page (apresentada em Demolidor), que aqui faz muitas vezes o link com sua humanidade. A violência é exposta quando o ex fuzileiro não pensa duas vezes em fuzilar ou explodir ou mutilar quem ele descobre ser malvado (distinguimos assim) e a calmaria demonstra sua outrora paz quando ele interage com a família do, agora parceiro e amigo, Micro.

A série ganha contornos bem recorrentes em filmes de guerra: o trauma das batalhas; o retorno quase impossível para uma vida cheia de fantasmas e o descaso do país que subjuga seus soldados a fortes terrores. Há ainda discussão sobre armamento civil e as consequências da justiça com as próprias mãos (exemplo para nossa atualidade nacional). E para levar esses temas a níveis ainda mais pesados, temos aqui uma subtrama que conta a história do soldado Lewis Walcott (diferente do anti-herói cheio de senso moral e que mesmo traumatizado sabe qual caminho seguir), escancarando o pesadelo dos combatentes que retornam completamente perdidos sobre quem são ou deveriam ser.

Punisher é uma série que bate e machuca e como amante de quadrinhos e desse anti-herói BRUTAL, digo que merece ser assistida.

Postado em: Netflix, Semana de Cinema
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