Netflix com o Poderoso – Gregory
por Patricia
em 09/12/19

Nota:

Como fã de histórias de crime (suspense policial sendo um dos meus estilos literários preferidos), de vez em quando, assumo o risco psicológico de ver uma série sobre crimes reais. E digo que “Gregory” exige um preparo psicológico real.

Em 1984, o pequeno Grégory Villemin de 4 anos desaparece enquanto brincava na frente de casa sozinho em um pequeno vilarejo na região de Vosges, na França enquanto sua mãe, Cristine, passa roupa dentro de casa. Poucas horas depois, o corpo foi encontrado com os pés e as mãos amarrados. Pela autópsia, ele havia sido jogado no rio vivo e morreu afogado.

Comoção total no vilarejo. Esse é um daqueles lugares em que todo mundo se conhece. Quando a polícia começa a investigar descobre que a família Villemin sofria há anos com uma pessoa que ligava dizendo que ia matá-lo para se vingar. Quase todos os membros da família receberam uma ou mais ligações com uma voz distorcida de uma pessoa que se intitulava “o corvo”.

Jean-Marie Villemin, pai de Gregory, é chamado de “chefe” porque foi promovido a capataz de uma fábrica. Com isso, ele passa a ganhar mais e se distingue na família como o “mais rico”. Presume-se que o corvo tem inveja do sucesso de Jean-Marie. Logo depois do corpo de Gregory ser encontrado, o irmão de Jean-Marie recebe uma ligação do corvo dizendo “me vinguei, finalmente”.

Porém, a família parece extremamente fechada em clãs que se protegem. Junte a isso uma polícia inapta para lidar com um caso desse e um juiz que gosta de atenção um pouco demais e temos uma bomba relógio.

O documentário cria uma atmosfera muito boa de tensão em cada episódio ainda que em alguns momentos, isso tenha um efeito risível. Quando narra o perigo que o corvo apresenta para a família, eles colocam corvos reais em uma casa vazia, por exemplo.

As entrevistas com policiais que trabalharam na época mostraram o despreparo além de algo um pouco mais inquietante. Um dos policiais descreve Cristine diversas vezes com adjetivos um tanto quanto inapropriados. “Sexy, bonita, charmosa” criaram uma base bizarra para que ele fizesse a ligação de que ela poderia ser a assassina. Quando vê gravações do enterro de Gregory em que Cristine quase desmaia, ele diz “muitas vezes fui em um enterro em que só quem chorava era o culpado.”

Grande trabalho de dedução policial.

Outra coisa impressionante que o documentário mostra muito bem foi o papel pernicioso da imprensa que se instalou no vilarejo tentando descobrir qualquer coisa. Um jornalista chegou a ser condenado a pagar indenização por ter colocado uma escuta não autorizada na casa de uma pessoa ligada à família. Jornalista filmavam e fotografavam tudo. Um outro morto virou a capa de uma revista de alcance nacional. Semanalmente saíam artigos sobre o caso, com jornalistas buscando um novo ângulo (ou inventando um).

Algumas reviravoltas aqui podemos imaginar que só poderiam acontecer na ficção e são muito bem documentadas. 5 episódios para deixar o telespectador no limite, do jeito que a gente quer.

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