Netflix com o Poderoso – Privacidade hackeada
por Ragner
em 21/08/19

Nota:

Netflix produz conteúdo excelente, dentre eles, alguns documentários que valem muito a pena (destaque para Democracia em vertigem, já resenhado aqui). Hoje deixo com vocês algumas observações sobre o filme Privacidade hackeada e como plataformas de redes sociais podem manipular o rumo eleitoral de alguns países.

O documentário nos apresenta a Cambridge Analytica – empresa de análise de dados – e como tal agência foi fundamental para os rumos da eleição de Donald Trump, o Brexit e nos influenciou ano passado. Privacidade hackeada leva a tona como a empresa se utilizou de dados de usuários do facebook para criar cenários favoráveis para a vitória de Trump e separação do Reino Unido da União Europeia.

A Cambridge Analytica, com a coleta de dados, passa a criar perfis políticos e psicológicos do eleitorado americano / britânico. A partir daí manipula o que passa a ser divulgado e propagado de acordo com o que cada usuário demonstrasse interesse. Os perfis eram alimentados com dados sobre amizades, gostos, desejos e medos. Algumas pessoas foram fundamentais para isso e aqui entra Chris Wyllie e Brittany Kaiser.

Wyllie ajudou na criação da Cambridge Analytica, mas depois de toda repercussão, se arrepende e denuncia a conduta fraudulenta da empresa. Wyllie foi um dos responsáveis em coletar dados pessoais para a divulgação de informações que influenciariam as eleições norte americanas. Kaiser é ex-diretora da Cambridge Analytica e testemunhou no Parlamento britânico sobre o uso indevido de informações privadas dos usuários do Facebook.

O documentário escancara como houve operações programadas para levar Donald Trump à Casa Branca e no Brexit. Mas tudo isso somente vem a tona com a participação de David Carroll e Carole Cadwalladr. Carroll é professor nova iorquino, que processou a Cambridge Analytica para recuperação de seus dados e Cadwallard é jornalista do The Guardian que expôs as irregularidades da empresa em questão.

Privacidade hackeada ainda esclarece como tudo isso interferiu em outros países, como no Brasil. A Cambridge Analytica vendeu informações para países que tivessem interesses nas informações colhidas e mundo a fora realidades foram criadas para as eleições que aconteciam.

Nossa eleição do ano passado foi regada a muita fake news e divulgação de pós-verdade, manipulando as orientações do eleitorado. Vivemos em uma era de desonestidade intelectual onde é muito fácil e cômodo acreditar naquilo que é compartilhado e divulgado dentro da bolha social que fazemos parte.

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