Netflix com o Poderoso – Tiger King
por Patricia
em 06/04/20

Nota:

Como boa fã de felinos (tenho 3 gatíneos que você pode ver de vez em quando no Instagram do Poderoso), me interessei pela série Tiger King, traduzida como A máfia dos tigres. Sem saber muito sobre o tema principal, embarquei nessa que foi, talvez, uma das experiências mais doidas que já tive assistindo um documentário.

O documentário, dirigido pelo empreendedor americano e conservacionista Eric Goode, explora o submundo da criação de grandes felinos. Primeiro, vale dizer que o comércio ilegal de animais é uma aberração por si só. Mas quando falamos de animais exóticos e considerados perigosos, a coisa fica mais insana ainda porque quando escapam ou são abandonados podem causar sérios problemas (no próprio documentário, eles citam um fazendeiro que deixou que seus 35 tigres fugissem e todos tiveram que ser mortos pois estavam rondando a cidade e os habitantes estavam assustados). Estima-se que nos EUA hoje, você encontra mais tigres tratados como pets do que há tigres ainda na natureza. Em alguns estados, é mais fácil comprar um filhote de leão do que um cachorro.

Muitos são comprados por circos e criadores. Mas há nos Estados Unidos uma aberração ainda maior: o zoológico particular. Escapando das regulamentações normais, esses zoológicos podem ser fechados ou abertos ao público. E é assim que chegamos a Joe Exotic, direto de Oklahoma. Joe, em seu tempo áureo, chegou a ter mais de 200 grandes felinos, em sua maioria tigres que pesavam mais de 150 quilos e ursos.

Joe Exotic e um de seus tigres

Joe não era um típico criador: gay assumido, estridente e amante de armas, ele era o próprio entretenimento de seu zoológico. Muitos diziam que as pessoas iam lá ver primeiro Joe e depois os tigres.

Joe tinha também uma inimiga número 1: Carole Baskin, fundadora da ONG Big Cat Rescue. A ONG recupera grandes felinos que antes eram de circo ou pertenciam a esses zoológicos particulares e, depois de um período em tratamento, os re-envia para a vida selvagem (se a re-adaptação for possível). Carole foi durante anos uma voz muito ativa contra o Joe. Haviam denúncias de que ele não apenas maltratava os animais e os alimentava com comida estragada, como usava filhotes com poucos dias de vida em suas turnês.

O circo pega fogo, com o perdão da expressão, quando vem à tona que o ex-marido milionário de Carole sumiu sem deixar rastros há 20 anos e, por um tempo, ela foi a principal suspeita do desaparecimento. A família dele alega que ela o deu de comida para os tigres. A polícia nunca encontrou nada que embasasse essa teoria. Mas isso não era necessário para Joe que fazia vídeos na internet culpando Baskin pelo crime. Seu ódio por ela era tanto, que ele tinha uma boneca inflável que chamava de Carol e em quem dava tiros enquanto filmava seu show que ia ao ar em seu canal Joe Exotic TV.

O documentário é uma grande novela, quase impossível de largar. Quando você acha que não poderia ficar mais maluco, entra em cena o dono de bares de striptease que passou a colaborar com o FBI quando descobriu-se que Joe havia pagado uma pessoa para matar Carole. No meio de tudo isso temos ainda a carreira musical de Joe com 2 álbuns que gerou o grande clássico I saw a tiger (e que não é a voz dele); sua corrida para a eleição de Governador do Estado; um colega de Joe também criador de tigres, que tem um culto próprio com direito a 3 esposas e algumas namoradas; a atração de Joe por homens mais novos e héteros (um de seus maridos héteros aparece na série e tem apenas 3 dentes); e um reality show que seria filmado no zoológico com o título que dá nome ao documentário, “Tiger King”, com direito a um trono vermelho.

Além do fato de entretenimento que é claro, o documentário escancara um problema real: um tigre não é um animal para se ter em casa. Um leão tem instintos que cercas não vão conter. E há algo muito errado em não existirem leis que proíbam que esses animais sejam tratados como gatos domésticos.

Cada episódio é mais insano que o anterior. Comecei a assistir sem pretensão e parei 7 horas depois sem saber nem onde estava. Há rumores de que mais um episódio deve sair, mas nada confirmado ainda quando escrevo este texto.

O documentário segue um roteiro rápido e, às vezes, um pouco repetitivo. Goode conseguiu um acesso muito bom com pessoas que raramente dariam entrevistas e isso complementa consideravelmente o conteúdo do que temos aqui. A organização dos episódios – focando cada ora em uma questão principal – é boa e funciona para quem quer assistir a tudo de uma vez como eu fiz.

É uma novela da vida real que entrega tudo: risadas, ódio, descrença. Tem crime, tem FBI, tem gente doida. E tem felinos que a gente fica torcendo para comerem “certas pessoas”.

Postado em: Dica de série, Netflix
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