Semana De Cinema – 12 Anos De Escravidão
por Ragner
em 25/02/14

Nota:

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Imagina você ser arrancado de sua vida, perder identidade e tudo o que já viveu, ser destruído de um dia para o outro. Ter uma vida maravilhosa em todos os sentidos e depois acordar em um pesadelo onde nada pode fazer e ninguém para te ajudar, só sofrer e desejar que um dia isso acabe.

12 anos já começa assim, em 10 minutos de filme já acompanhamos a vida do protagonista passando completamente por um redemoinho de loucura, pois, após ser enganado por homens que lhe prometeram sucesso com sua música, ele é levado, ilegalmente (e quem se importava naquela época?). Depois de uma noite regada à vinho, Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), acorda acorrentado, discutindo pelos seus direitos de homem livre, mas os livres parecem que se esqueceram dos homens de cor. Sem saber o que está acontecendo, sem saber ao menos onde está, Solomon já é surrado, tendo que aprender que agora não passa de um escravo.

Na viagem, em um calabouço de um navio, os negros discutem sobre o que é mais importante, lutar e poder morrer, ou se calar e sobreviver. Eles eram amordaçados, a única mulher ‘servida’ para os brancos e a morte escolhia os metidos a herói.

– Sobrevivência não se trata de morte certa mas sim de manter a cabeça baixa.

-…eu não quero sobreviver, eu quero viver.

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Após um leilão, mãe e filhos são separados e negros são tratados como mercadorias, Solomon, agora chamado de Platt, vai para fazenda de Willian Ford (Benedict Cumberbatch), que o respeita bem, até o admira, mas isso não muda sua condição de escravo e após uma rixa com o branco que controla os negros, ele teve que ser negociado com outro escravista, Edwin Epps (Michael Fassbender), que em nada se parece com o último dono e se mostra ser tão cruel quanto o pior dos brancos.

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Os anos que se seguem são duros e desesperadores, ainda mais para a negra Patsey (Lupita Nyong’o), que é a preferida do senhor da fazenda e que sofre mais do que os demais escravos. Platt se sente incapaz de ajudar e quando essa o pede para tirar sua vida, ele vai percebendo o quanto o desespero pode destruir uma pessoa e até mesmo faze-la desistir de tudo. Mas com a chegada de Samuel Bass (Brad Pitt), uma ligeira esperança rodeia o coração de Platt, pois o branco que escuta sua história, tem ideias abolicionistas e promete ajuda-lo a escrever e enviar uma carta aos seus amigos do norte.

O elenco também conta com, o sempre excelente, Paul Giamatti, como o negociante de escravos Theophilus Freeman e com Sarah Paulson, como a senhora Mary Epps, cheia de rancor e ódio pela escrava que se deita com seu marido.

Não creio que seja preciso discursar sobre racismo ou qualquer forma de pré-conceito, já é visível e bem claro qual é a opinião do pessoal do Poderoso sobre esses assuntos e a única coisa que tenho a dizer é: “Uma minoria não é tratada como minoria a toa”. Negros, Mulheres, Homoafetivos e quaisquer outros grupos que vivem sendo discriminados, precisam ser observados com respeito redobrado. A situação que os deixaram necessitar de datas comemorativas ou de luta pelos direitos, só existe por causa do desrespeito e ignorância de uma ‘maioria’ que se sempre se julga superior. Eu disse “se julga”, não “se julgou”.

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