Semana de Cinema – Across the Universe
por Patricia
em 21/10/13

Nota:

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Poucas coisas na vida são tão boas quanto as músicas dos Beatles. Pense bem. A banda surgiu e estourou em um momento importante de mudança no mundo: guerra do Vietnã na esquina, o movimento negro começava a se organizar para exigir seus direitos e os hippies apareciam como a sociedade alternativa da vez.

O começo de Across the Universe ilustra bem isso: dos dois lados do Atlântico, em duas guerras totalmente diferentes, as músicas do Beatles traduziram sua época como poucas bandas poderiam. É essa a premissa do filme: utilizando as lendárias músicas do Beatles, somos apresentados à realidade dos anos 60-70 de maneira direta, brutal e espetacular.

Mas vamos apresentar os principais personagens:

Jude é um rapaz inglês pobre que trabalha nas docas de Londres para juntar dinheiro e ir atrás do seu sonho: ir para a América – a Terra das Oportunidades. Enquanto muitos pensam que seu intuito é apenas trabalhar e fazer fortuna, Jude também pretende tentar encontrar seu pai que nunca conheceu. Pedindo carona, ele chega a Princeton – onde seu pai teoricamente trabalha como professor. Ali, ele encontra mais do que a história da sua família: ele conhece Max – irmão de Lucy.

Lucy é uma mocinha de família rica e o estereótipo de uma jovem americana: loira, olho azul, sem grandes preocupações na vida, namora um rapaz alto, forte e popular. Só que…ele vai para a guerra. E ela fica em casa escrevendo cartas e esperando virginalmente o retorno dele. Tudo como deve ser, segundo a Bíblia.

Jude – o mocinho rústico da Inglaterra – conhece Lucy – a mimada mocinha da América do Norte. Você pode adivinhar o resto.

O filme também nos joga no meio da cultura hippie, no centro de uma geração que estava se liberando de correr atrás do “sonho americano”, cara. Pessoalmente, o filme me fez ver algo que eu nunca tinha percebido ainda que tenha estudado os dois momentos históricos: os Estados Unidos lutavam no Vietnã enquanto em suas ruas uma outra guerra acontecia – a dos negros pela igualdade e dos jovens por participação política. E se havia algo em comum entre elas, é que todos os lados sofreram perdas significativas. E todos os personagens do filme vão sentir isso de uma maneira ou de outra.

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O dramalhão novelesco é clichê de histórias desse tipo. Não tem muita inovação. Tem amor, perda, lágrimas, risadas e cenas tristes. O que dá um sabor extra especial é a trilha sonora que casa perfeitamente com tudo o que acontece na vida de todos os personagens. As versões criadas para o filme e interpretadas pelos atores são realmente boas – algumas muito, muito boas.

Ouça Let it be e tente não precisar de lenços. I wanna hold you hand ficou adorável; Helter Skelter ficou sexy e Come together ficou sensacional! Raramente uma trilha sonora me empolga muito – ultimamente, só Tarantino consegue isso. Mas essa foi uma que, por ter um papel tão central na história, não poderia passar despercebida.

O tom de filosofia fica para a cena onde temos I want you e enquanto cantam “She’s so heavy” os soldados recém admitidos – meninos apavorados de serem mandos para a guerra – carregam a estátua da Liberdade. É uma metáfora realmente brilhante.

Aprovado por ninguém menos que Sir Paul McCartney, o filme é uma agradável surpresa. Para fãs de Beatles, como eu, é uma releitura de respeito para algumas das melhores músicas de todos os tempos. Vale a pena conferir.

 

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