Semana De Cinema – Águas Rasas
por Ragner
em 26/09/16

Nota:

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O tubarão é um animal que me chama demais a atenção. É o caçador perfeito e reina soberano nos oceanos. Sou apaixonado pelo filme “Tubarão” (clássico de Steven Spielberg), gosto do segundo, nem tanto do terceiro que é o típico “sessão da tarde” e adorei “No Fundo Do Mar”. Não sou defensor da tese de que são animais que só pensam em matar e possuem “sede se sangue” infinita. Assisto documentários sobre eles, idealizo uma tattoo há mais de uma década, tenho o desenho de um ‘Tuba’ Branco na parede do meu quarto e ainda quero muito mergulhar entre eles. Mesmo entendendo que não são monstros na vida real, acho até legal como eles são apresentados em filmes. Não me incomoda o fato deles estarem sempre querendo comer mergulhadores desavisados ou surfistas que gostam de praias paradisíacas. E quando o animal ainda ganha aquela inteligência incomum, aí é que assisto ao filme com mais interesse.

Quando “Águas Rasas” foi anunciado, não vacilei e fui assistir na primeira semana. Não me parece que houve alguma pretensão de ser aclamado como o novo “Tubarão”, mas talvez uma tentativa de recuperar o prestígio que tal gênero já teve. O filme segue a risca a cartilha de filmes do gênero já que é ambientando numa linda e paradisíaca praia, tem um animal mortífero desconhecido, com pitadas de suspense no quesito “agora ataca, agora não” que refletem bem o clima do filme. Junto a tudo isso com uma protagonista feminina (Blake Lively) cheia de determinação, que vive uma fase de descobertas na vida e efeitos visuais capazes de trazer à telona um gigante tubarão da maneira mais realista possível.

Após a morte da mãe e desistir de terminar a faculdade de medicina, Nancy (Blake Lively) parte em busca de auto conhecimento. Em uma viagem com uma amiga, ela decide descobrir onde fica uma praia em que sua mãe já tinha surfado enquanto estava grávida dela. Mesmo sem a amiga, que estava de ressaca pela noitada anterior, Nancy encontra o lugar com a ajuda de um nativo e decide ficar por lá, mesmo que sozinha. Tudo parecia muito tranquilo, Nancy era quase uma médica, surfista, o celular tinha sinal, estava abastecida de alimento e bebida e os únicos dois surfistas na área estavam mais interessados em pegar ondas do que incomodá-la.

A noite ia chegando, maré subindo, os companheiros indo embora e Nancy decide ficar mais um tempo para aproveitar um pouco mais do local, até que o primeiro ataque acontece e antes que ela perceba o que tinha realmente acontecido, somente uma baleia mortalmente ferida boiava próxima dela e um gigante Branco já tinha deixado a marca de seus dentes em sua perna.

Por alguns instantes a Baleia foi seu ponto seguro e depois de horas em que o Tubarão insistia em derruba-la de cima da Baleia, Nancy consegue chegar a uma pequena formação rochosa que já aparecia. Lá ela passou o resto da noite, conseguiu estancar o sangue que escorria de sua coxa (meio que usando os brincos como clipes e vestindo até quase a virilha parte da camisa de neoprene que tinha conseguido rasgar) e ainda teve como companhia uma gaivota, que tinha se machucado em um dos ataques do Tubarão.

O dia amanhece, a maré está bem baixa, mas mesmo depois de muito tempo e Nancy acreditando que poderia voltar para praia, é surpreendida com um outro ataque do tubarão. A manhã vai passando, outras vítimas são feitas, mas o gigantesco animal parece determinado em devora-la (mesmo já estando de barriga cheia). Até que Nancy decide que irá sobreviver, mesmo que tenha que enfrentar o tubarão.

As cenas de caçada e “batalha” entre ela e o animal, são fantásticas. O diretor e sua equipe conseguem entregar um dos mais belos e interessantes filmes de tubarão que eu já assisti e, sinceramente, construir uma protagonista feminina foi de um acerto formidável, característica esta muito presente no cinema atual. Blake Lively consegue, com intensidade, protagonizar um longa em que sua beleza e porte físico ficam em segundo plano, já que a vontade de vencer um inimigo mais forte e em seu território se eleva a um nível que amantes de filmes assim precisam assistir. “Águas Rasas” pode muito bem caracterizar o cinema atual que coloca a mulher onde ela deseja/pode estar.

 

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