Semana de cinema – Aloha
por Bruno Lisboa
em 24/08/15

Nota:

download

Dono de um das filmografias mais relevantes na década de 90, o diretor Cameron Crowe  soube como poucos fazer do básico algo magnífico.

Sem se render à modernicies fílmicas da época, Crowe criou de forma extremamente autoral obras singulares, com roteiros simples e ligados a ótica de superação, mas que de alguma forma alcançaram grande apelo popular.

Longas como Jerry Maguire e Quase famosos que fizeram com que o realizador alcançasse o estrelato. Porém, a receita do arroz com feijão que antes funcionava agora perdeu o tempero. A sequência de filmes mais recentes como Vanilla Sky, Elizabethtown e  Compramos um zoológico e o documentário sobre a banda Pearl Jam,  por mais que sejam permeados por bons momentos e tenham certa alcançado rentabilidade, tropeçam em roteiros mal trabalhos ou vazios de propósito. E é justamente este o problema encontrado em Aloha, seu último trabalho.

Controversa desde o seu nascimento, a obra foi inicialmente recusada pelo o estúdio que não entendeu a essência do filme (num caso extraoficial executivos da Sony consideraram, em e-mail vazado para a imprensa, o roteiro “ridículo” e “sem sentido”). Vencida esta etapa, após meses de adiamento, o longa ambientando e rodado no Hawaii  chegou ao circuito americano em maio deste ano e novamente foi alvo de críticas devido a má seleção do elenco que privilegiou atores brancos, ignorando o grande número de asiáticos residentes no estado americano. De fato,  tais elementos prejudicam o andamento do longa.

No enredo temos Brian Gilcrest (Bradley Cooper) um ex-soldado americano que tem a vida mudada após o fim abrupto de sua carreira. Como contrapeso, Gilcrest começa a trabalhar numa empresa multinacional, liderada por Carson Welch (Bill Murray), que planeja instalar uma base para lançamento de um satélite no Hawaii. Chegando lá Brian precisa lidar não só com o serviço burocrático como também resolver situações pessoais, ora com a sua ex-namorada (Rachel McAdams) e seu marido (John Krasinski) ora com a capitã da força aérea Allison Ng (Emma Stone) possível affair que acompanha as ações do protagonista, mas desconfia das reais intenções da empresa.

Cameron Crowe, antes um grande roteirista (ganhador do Oscar em Quase famosos), mais uma vez se perde em diálogos desconexos e confusos. Com isso, o espectador é impedindo de compreender a essência de Gilcrest, que oscila erroneamente entre a canastrice e a depressão, perdendo assim todo o peso e brilho da narrativa que raramente tem momentos memoráveis (como a cenas protagonizadas por Cooper e John Krasinski).

A trilha sonora, que antes cumpria papel significante e servia de apoio a história (como é visto em outros trabalhos do diretor, afinal quem não se lembra do uso de “Tiny Dancer” em Quase famosos?) surge de maneira sutil e sem propósito direto.

Para além dos deméritos, Crowe consegue em Aloha realizar um trabalho expecional junto ao elenco principal com grandes atuações de Cooper, McAdams e Stone, comprovando que ainda é um exímio diretor de atores. Outro destaque é o tom dourado da fotografia  que rende belas passagens.

Infelizmente, tais predicados não são suficientes já que resultado final é aquém do que se poderia esperar do grande diretor de outrora que hoje parece ser um mero reflexo de si mesmo. De maneira vertiginosa Crowe e seu público seguem observando o seu trabalho decrescer de maneira vertiginosa e temerária. Te cuida mestre!

Postado em: Semana de Cinema
Tags:

Nenhum comentário em “Semana de cinema – Aloha”


 

Comentar