Semana de Cinema – Apenas o fim
por Gabriel
em 26/07/14

Nota:

Apenas o FimO cinema brasileiro passou por altos e baixos ao longo dos anos. Teve fases dominadas por pornochanchadas, teve grandes momentos com nomes como Glauber Rocha e teve também seus momentos de grandes bilheterias, com filmes que marcaram a cultura do brasileiro e chegaram a certa fama no exterior: os maiores expoentes com certeza são Cidade de Deus e Tropa de Elite.

O contexto do cinema nacional sempre foi de bilheterias baixas, principalmente se comparadas às de filmes estrangeiros. Por isso, o financiamento do cinema nacional é baseado em muitos dispositivos legais e instituições. Isto tem suas vantagens e desvantagens.

Uma das desvantagens é dificultar o acesso de novos diretores a seu potencial público; ao depender da aprovação de críticos que julgam seus trabalhos, tais diretores muitas vezes acabam nunca vendo a “luz do dia” das salas de cinema comerciais.

Uma grata exceção dos últimos tempos foi Apenas o Fim, de Matheus Souza, criado em 2008. O cineasta, à época ainda estudante de cinema na PUC-RJ, criou este longa e conseguiu, depois de certo tempo, leva-lo a algumas salas de cinema (as menores, de arte, mas conseguiu). Um feito e tanto para um diretor independente.

O que levou Apenas o Fim aos cinemas? Um conjunto de fatores bem orquestrados.

O primeiro fator é o roteiro. Este filme não apenas contém referências pop, ele é praticamente uma sequência de referências pop sendo regurgitadas. Souza retrata toda uma geração (a dos anos 80 e começo dos 90) através dos olhos de dois personagens principais. Estes personagens formam um casal de alunos da PUC-RJ, que passa todo o longa discutindo sua relação após a garota comunicar o garoto de sua “partida”. No caminho, encontram personagens inusitados e algumas participações especiais, como Marcelo Adnet (que ainda não era tão famoso assim com o seu “15 minutos”, na MTV), que tornam o longa divertido.

O segundo fator é a atuação. Apesar de eu não ser a pessoa mais indicada para avaliar qualidade e técnica de atuação, é notável a entrega de Gregório Duvivier e Érika Mader, que vivem os personagens principais. Para quem não ligou os nomes às pessoas, Duvivier é hoje um dos humoristas do Porta dos Fundos, grupo que vem atingindo números incríveis de audiência na internet. Além disso, escreve uma coluna na Folha de São Paulo. Já Érika é sobrinha de Malu Mader, famosa atriz brasileira, e por enquanto tem feito trabalhos mais discretos.

Um terceiro fator pode ser a direção. A ambientação, exclusivamente na PUC-RJ, dá um ar interessante e próprio ao filme, sendo ao mesmo tempo “familiar” a brasileiros, mesmo que não cariocas. Já o formato do filme, que se passa praticamente em uma linha reta, também é autêntico e o torna mais especial.

Souza acertou em cheio com esse filme, seu primeiro lançamento. Já houve um segundo trabalho que não atingiu tanto “sucesso” de crítica, mas o diretor é jovem e ainda pode ir longe. Um filme recomendado para pessoas entre 20 e 35 anos; aguardem doses de certo pieguismo, por isso sem cinismo! Bom filme!

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