Semana de Cinema – As palavras
por Patricia
em 27/05/14

Nota:

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Gosto muito de filmes que abordam vida de escritores por me interessar muito pelo processo de criação de uma história e de personagens. O filme ‘As palavras’ conta um pouco sobre isso e foi construído sobre um tema tenso na literatura: o plágio.

Rory Jansen (Bradley Cooper) deseja seguir a carreira de autor. Ele escreve um livro que um editor considera bom, mas impossível de vender no momento. Afinal, o mercado literário também vive de vendas e lucro. Frustrado, ele começa a questionar sua vocação e tudo o que havia escrito até ali. Recém-casado com Dora (Zoe Saldana) ele tem o total apoio da esposa para seguir sua carreira – isso significa que ela acaba arcando com contas e gastos já que ele não tem um emprego fixo até conseguir um em uma editora como ajudante.

Na lua de mel, em Paris, eles visitam uma loja de antiguidades e ele ganha uma bolsa antiga de presente. Dentro ele encontra….um livro datilografado. Nas páginas amareladas pelo tempo, ele descobre uma obra prima não assinada, um livro incrível que parece não ter dono. Em um surto literário, ele digita o livro e entrega-o ao editor para avaliação como se fosse seu. Tsc, tsc, tsc (dedinhos em riste).

Rory não só tem seu livro publicado, mas aclamado pela crítica e pelo público. Ele ganha prêmios e reconhecimento e tudo mais o que sempre sonhou, mas….bom, o livro não é seu de verdade. Karma espera na esquina.

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Em um parque, num lindo dia, um senhor senta a seu lado e descobrimos que é o autor da história (Jeremy Irons)! Ele conta a Rory tudo o que passou para escrever aquele livro e como sua esposa na época o perdeu causando ainda mais dor do que eles já tinham passado. A história dele é muito triste e escrever o livro o salvou de uma depressão profunda em um momento difícil.

O filme vai e volta no tempo intercalando as histórias. E ainda temos um outro autor, Clay Hammond (Dennis Quaid) que está, no futuro, contando essa história do embrólio do plágio de Jansen em seu próprio livro. Tudo gira em torno da construção de uma história e de como ela afetou três vidas ao longo de muitos anos. O dilema ético do plágio é interessante, mas eu só conseguia pensar em outro filme: As horas. Para quem não viu, ‘As horas’ tem exatamente o mesmo estilo: um livro que interliga três histórias. Só que ‘As horas’ é anos-luz melhor que ‘As palavras’.

‘As palavras’ acaba perdendo um pouco do brilho quando Jeremy Irons não está em cena. Não que o elenco seja ruim, mas Irons com certeza agrega muito ao drama talvez, justamente, por seu personagem ser o mais injustiçado de todos. Como velhinho, ele nunca poderá usufruir de tudo que Rory conquistou com a esstória porque não tem tempo, vontade nem estrutura para isso. Ele é apenas um pobre velho de quem a História nunca vai se lembrar.

Eu esperava um pouco mais de conversa sobre o plágio e como ele afeta Rory, mas não senti que isso foi muito aprofundado. Na verdade, o filme acaba um pouco suspenso…deixando algumas dúvidas no ar. Serve para passar a tarde mas deixa a desejar.

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