Semana de Cinema – Azul é a cor mais quente
por Ragner
em 28/01/14

Nota:

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A questão da sexualidade é um assunto que cresce muito atualmente e ficar aquém do que acontece ao nosso redor em relação a isso, parece ser muito mais por vontade, do que por falta de informação. A homossexualidade não é algo novo, é tão velho quanto a própria humanidade, mas por questões culturais, morais, religiosas, impostas e até ignorantes, é tratado como um “mal da modernidade”. Sim, chega a ser estúpido e surpreendentemente bizarro.

Me relaciono e já me relacionei com pessoas que preferem pessoas do mesmo sexo, conheço lésbicas e bissexuais que sofrem muito com o pré-conceito desumano existente entre aqueles que se julgam detentores da verdade, dos bons costumes e quase senhores do que é certo e errado. Em pleno ano 2014 fico impressionado com a ignorância despudorada em relação a situações que se cobram tanto pudor. O fato de estarmos no século XXI não evidencia, efetivamente, que deveríamos entender ou aceitar melhor alguma coisa, pois isso deveria ser atemporal, porém costumes e hábitos impostos há séculos atrás, já deveriam ter evoluído, mudado, melhorado.

Azul conta a história de duas garotas, uma experiente e comprometidamente lésbica (Emma), já maior de idade e outra (Adéle), mais jovem, 15 anos, cheia de dúvidas e um vazio dentro do peito em relação a sentimentos. Adéle começa o filme ainda no colegial, entre turminhas e conflitos adolescentes, como a perda da virgindade, o namoradinho e amizades que gostam de zombar do que não está dentro do padrão. Emma já é estudante universitária de belas artes e é a típica lésbica que atrai atenção e seduz com sua postura madura e convicta de quem é e do que deseja. O 1º encontro das duas ocorreu enquanto atravessavam a rua, Adéle ia para um lado, Emma, acompanhada, para outro. A atenção da adolescente, que ainda está se descobrindo, é tomada pelos cabelos azuis e jeito decidido da lésbica que passa ao seu lado.

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O envolvimento das duas começa pra valer depois que a imagem de Emma não sai da cabeça de Adéle, que percorre as ruas a procura daqueles cabelos azuis, até reencontra-los em uma boate gay. Um relacionamento começa, as amizades de Adéle implicam, a desrespeitam, mas ela continua, intensamente junto de Emma. Os anos passam, as duas moram juntas, mas a indecisão e imaturidade vencem quando um rapaz entra na vida de Adéle. As duas terminam e por anos a jovem de 15 anos vai se transformando em uma mulher com suas responsabilidades, mas com um vazio inalterado pela separação de Emma, que com o tempo segue sua vida.

Uma das minhas 1ªs impressões é sobre o fato da atuação das protagonistas. Elas conseguem me convencer durante todo o filme como se suas vidas fossem naturalmente daquela maneira, tamanha perfeição da verdade que transmitem durante quase 3 horas. As cenas de sexo são explicitamente convincentes, há cumplicidade nas ações e realidade nos sentimentos e falas. A questão homossexual, ao meu ver, não está retratada aqui para ser discutida, mas sim para ser observada e admirada, com suas verdades e implicações sociais, de uma forma naturalmente normal. Certamente um filme para ser visto sem quaisquer pré-conceitos sobre como deveria ser a vida de um homossexual, assistimos apenas como eles são. Mas essa é minha opinião. Valeu pela indicação Mariko.

Postado em: Semana de Cinema
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2 Comentários em “Semana de Cinema – Azul é a cor mais quente”


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Juliana Ghidini em 05.04.2014 às 00:18 Responder

É um filme dolorido! Amor, revolução, descobertas, receios… “Azul é a cor mais quente” é um filme que te prende do início ao fim dentro das 2 horas, 59 segundos e 59 milésimos. Eu não gosto muito de filmes que são recheados de loooongas cenas de sexo, mas as mostradas aqui são mais explicativas do que qualquer outra coisa. Elas mostram que amor é amor, tesão é tesão, cumplicidade é cumplicidade e sentimento é sentimento independente da opção sexual. E a parte da separação é dolorida demais! Tudo bem, sou chorona assumida, mas só de lembrar, o nó teima em ficar na garganta.
Eu ouvi várias críticas ao filme, sobretudo que era um filme machista, justamente pelas cenas de sexo. Eu percebi que alguns closes são bem focados em partes e posições mas pra mim, encaixaram-se perfeitamente no contexto. Eu recomendo, mas não tenho coração pra assistir de novo tão cedo…

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Ragner em 06.04.2014 às 14:36 Responder

Adorei toda a estética do filme e sua argumentação, garantindo uma veracidade necessária, já que muitos filmes parecidos ficam muito artificiais. O filme é até longo, mas tinha muito a ser trabalhado ainda e mesmo assim é muito bom. As duas focaram muito bem suas interpretações nas questão sobre amor, descobertas, sexo, revolução, receios e o que mais poderia ser discutido.


 

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