Semana De Cinema – Batman Vs Superman – Dawn Of Justice
por Ragner
em 28/03/16

Nota:

e317f30f8f080ece7b2318d0a8ba316e

Batman vs Superman é MESMO um filme do Homem de aço. Não tenho dúvidas disso. O filme gira em torno de sua existência, seus temores, dúvidas, poucas certezas e total responsabilidade. O que pode ou não agradar ao público. Batman e Mulher Maravilha são personagens que somam ao mito do herói e que faz do segundo filme do maior super herói do universo, ser algo acima de qualquer outro filme do gênero. Mesmo não sendo uma unanimidade. Batman e Mulher Maravilha nunca foram retratados assim, trocentas referências são afirmadas aqui, algumas que podem não empolgar, mas gostei de todas e assumo o risco de dizer que a Liga Da Justiça não poderia acontecer sem o Super Homem passar por tudo isso.

Não consegui me segurar de ansiedade e tive que assistir a pré-estréia. Estava doido para conferir a atuação do Ben Affleck e como trabalhariam a Mulher Maravilha. Fui ao cinema como fã inveterado e apaixonado do Batman, interessado na Amazona e amei tudo. Já tinha uma percepção de que o Batman de Affleck estava formidável (pelos trailers, pois a priori fiquei também temoroso) e a performance de Gal Cadot me convenceu, mesmo acreditando que poderiam ir além. Como o título tem os dois maiores ícones da DC, parece que ela foi incluída para exercitar a dinâmica da Trindade e aparecer na hora em que os dois mais precisavam. Sem ela Batman teria morrido e o Super não conseguiria ser o herói que o mundo precisa.

O filme é a construção de tudo que cada um representa e mostra isso de forma intensa. Superman sofre com o conflito constante em relação aos seus poderes e como é vislumbrado como um Deus. Isso quase o deprimi. Batman vai além do imaginário de um justiceiro ou um pária que age fora da lei, não esquecendo de mostrar o quanto ele é estratégico, eficiente e implacável (sem a imagem de ninja que a trilogia passada criou e o detetive que na verdade é) e Lex Luthor é um completo lunático e esquizofrênico, cheio de maneirismos e que não mede esforços para conseguir o que deseja. Sobre a Mulher Maravilha, foi dada apenas uma amostra de quem ela é do que pode significar para a futuro da Liga. O filme apresenta sua personagem passando a imagem de alguém que pode solidificar a união entre o filho de Krypton e o morcego de Gotham. Ela é o que liga os dois.

Zack Snyder toma uma direção completamente contrária dos diretores da Marvel. Batman vs Superman em NADA lembra os filmes dos “heróis mais poderosos da Terra” e isso, ao meu ver, foi um dos vários acertos. Fica um clima que pode parecer mais com os das séries como Daredevil e Jessica Jones, entre a ação dele com a introspecção dela. O universo da DC tende a seguir um caminho que pode ou não, ser mais frio ou seco do que esse filme de estréia (na verdade o Homem de aço representa isso, mas é nesse que tudo vai ganhando forma), mas já deixou claro que não terá nada de parecido com os da “casa das ideias”. E isso fica mais evidente pela forma com que trata seus heróis, pois o Batman aqui é uma lenda urbana, o Super é um deus trágico e atormentado e a Mulher Maravilha é uma mulher diferente de todas que já conhecemos, expondo a figura feminista em pessoa, com requintes femininos que mexem com o imaginário e desejo de qualquer um.

Entre os pontos altos do filme, posso enumerar que: o Batman não está aposentado e volta a ativa (desejei isso), ele está na ativa há 20 anos. É uma criatura que muitos temem e que a polícia não vê como herói, mas sim como um agente do terror. É uma figura com a função de aterrorizar mesmo os criminosos e ficar no imaginário do povo. Bruce Wayne é 100% Batman, em suas ações como o bilionário ele age como alguém que quer justiça a todo momento e decide proteger e ajudar todo mundo (não há uma evidente diferenciação entre os dois, Bruce se tornou o Batman e permaneceu assim, o que nesse filme não é ruim, nos anteriores podemos perceber bem a separação óbvia entre o Playboy e o Cavaleiros Das Trevas). A dinâmica entre Bruce e Alfred é absurda de funcional (Jeremy Irons me convenceu tanto quanto o antecessor Michael Cane, mas aqui ele trabalha em conjunto). Temos uma ótica do Cavaleiro das trevas que nunca foi trabalhada e que me emocionou de forma gigantesca, caracterizando o lado porradeiro e finalizador que não é tão conhecido pelo grande público. O Superman passa quase o filme todo em dúvida de seu legado, ele não sabe qual é seu o lugar e se vale a pena ficar interferindo nos assuntos dos terráqueos, está em constante depressão pelo poder que tem, sem conseguir encontrar razão para usá-lo, se questiona a todo momento se um ser todo poderoso pode ser tão bom como precisa ser. A Mulher Maravilha merece os aplausos que repercutiram dentro da sala e mesmo aparecendo pouco (como semi-deusa), mostra a que veio e é importantíssima para formar a Trindade. Jesse Eisenberg meio que personifica um pouco do seu Mark Zuckerberg – anti social, gênio, com o mesmo entendimento funcional de moda – junto com um personagem perfeitamente psicopata. E algo que é extremamente importante e deixa o filme ainda mais fantástico, o astrofísico Neil deGrasse Tyson (arrepiei) aparece debatendo a existência de vida fora do planeta.

Entre os pontos baixos e talvez negativos (sim, há) comento que: o filme é mesmo grande demais, poderia ter sido enxugado um pouco. Batman é vingativo demais e sua motivação para destruir o Super é quase birrenta. Super Homem é um personagem complicado de se construir e conduzir, é quase um deus e faze-lo conviver entre humanos pode deixa-lo pedante e isso atrapalha muito a sua aceitação entre os fãs. O fato dele ser tão depressivo, poderia figurar como ponto baixo, mas isso que acontece com ele que pode ajudar a formar um personagem maior e mais poderoso no filme da Liga. Henry Cavill não conseguiu diferenciar Clark Kent de Kal-El e isso deveria ser fundamental. E quando o assunto é direcionado à família, o Super não passa de uma criança indefesa, parecendo motivado mais a agir de forma egoísta. A Mulher Maravilha aparece pouco, só no clímax, o que é até entendível, mas ela merecia mais. A “apresentação” dos futuros integrantes meta-humanos da Liga também deixa um pouco a desejar, mesmo eu adorando o aparecimento do Flash.

Concluo que: o filme levaria 5 canecas minhas por apresentar o que vem por ai, por ter em seus pontos positivos mais relevância do que os negativos e por acreditar que o Super pode ter uma personificação sem precedentes no filme da Liga, mas vou deixar com 4, para ser verdadeiro e deixando meu lado fanboy de lado. É melhor do que outros que já dei 5, mas ele mereceria a perfeição, que não foi o caso. Escolhas aqui foram feitas e as vezes elas são boas para algumas pessoas e não tão boas para outras. Ben Affleck me surpreendeu de forma fabulosa. Cristian Bale passa de O Batman (resenha dos outros filmes aqui e aqui) para UM Batman. Bale foi o melhor intérprete do Morcegão até o dia 23/03/2016, depois desse dia, sua atuação amada por mim ganha um oponente que pode vir a ser lendário.

 

Postado em: Semana de Cinema
Tags:

2 Comentários em “Semana De Cinema – Batman Vs Superman – Dawn Of Justice”


Avatar
Fabio em 29.03.2016 às 13:04 Responder

Empolgante!! Ainda n assisti o filme ‘-‘

Avatar
Ragner em 29.03.2016 às 14:02 Responder

Vá! É mais empolgante ainda, kkkkk.


 

Comentar