Semana de Cinema – Bridegroom
por Patricia
em 27/01/14

Nota:

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Esse é um documentário triste. Já aviso de agora caso você precise passar na farmácia para comprar lencinhos.

Shane Crone foi um jovem feliz até perceber que era gay. Ele entrou em uma crise intensa ao perceber que não era o que as pessoas esperavam que ele fosse. Morando em uma cidade pequena, não demorou muito para a situação ficar séria. Quando conseguiu condições suficiente, Shane decidiu ir para a Califórnia e mudar totalmente os ares.

Longe dali, um rapaz da classe média, filho de um ex militar veterano de guerra, seguia sua vida normalmente. Lindíssimo e carismático, Tom Bridegroom parecia destinado para Hollywood e grandeza. Depois da faculdade, ele vai para Califórnia…viver a vida sobre as ondas.

É lá que Shane e Tom se conhecem e começam a namorar.

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Por 6 anos eles moraram juntos, começaram uma empresa e viveram como qualquer casal de vinte e poucos anos. Até Tom cair do 4o andar do prédio e morrer.

Shane sempre manteve um relacionamento próximo com seus pais que o aceitaram sem problemas. Com Tom, o assunto foi diferente. Seu pai acreditava que masculinidade estava ligada a força física, a armas, a músculos e, basicamente, ao He-Man. Tom tinha medo de que seu pai o matasse quando soubesse a verdade. E quando finalmente decidiu abrir as portas do armário, a recepção foi exatamente essa. Sua mãe chorando e dizendo que ele estava pecando e seu pai indo procurar sua arma. Até ameaçaram Shane por ter transformado seu filho em um gay. (Ai gente….)

A vida seguiu e a mãe de Tom parecia ter mudado de idéia – seu pai o evitava.

Shane conta que a sogra vinha visitá-los e parecia cada vez mais confortável com a vida do filho. Quando Tom morreu, no entanto, as coisas mudaram completamente. Ela organizou todo o funeral e…não convidou Shane e sua família. Um membro da família de Tom o avisou que, para sua própria segurança, ele não deveria chegar perto da Igreja e do cemitério. O pai e alguns tios de Tom diziam em bom tom que iriam matar Shane se ele aparecesse por ali.

No Hospital, Shane não pôde entrar para ver o corpo de Tom porque ele não era “membro da família”. Ele conseguiu se despedir, finalmente, graças a uma enfermeira disposta a quebrar as regras (porque regras babacas não devem mesmo ser levadas a sério).

Meu único problema com esse documentário, é que eu esperava que tratassem do tema central tanto do viés pessoal quanto do viés político. Sim, porque Shane passou por tudo isso porque seu relacionamento com Tom não é reconhecido pelo Estado. Na Califórnia, o debate pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo só acabou em Junho de 2013. Infelizmente, tarde demais para esse casal.

Mas seria interessante ouvir os pais de Tom e como eles pensam hoje, depois de tudo o que aconteceu. Seria interessante também saber se a situação financeira de Shane foi afetada de qualquer maneira – já que esse é um bom argumento para casais gays que constroem uma vida juntos e quando um morre, o sobrevivente acaba perdendo tudo. Essa é uma das bases do pedido para um casamento formal nas bases da lei. A proteção financeira é importante em casos como esse.

De qualquer maneira, é um documentário sensível e serve, sim, como ponto de partida para uma conversa muito mais séria e importante que será, acredito, muito debatida ainda já que forças contrárias continuam fortes em sua busca para negar direitos básicos baseando-se apenas em sexualidade.

Bom documentário: muito triste mas bem conduzido.

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