Semana de Cinema – Crepúsculo dos Deuses
por Patricia
em 27/05/13

Nota:

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Não aguentei e vim falar de um dos meus filmes antigos preferidos. Mais um. Falei um pouco sobre ele no 5 às 5as sobre filmes da década de 50.  Mas esse é um filme que merece mais. Merece um post completo. Então aqui vai.

Joseph é um escritor falido que está prestes a perder tudo. Ele tenta vender desesperadamente um roteiro para conseguir pagar pelo menos algumas de suas dívidas. após receber diversos “nãos” sua situação vai se complicando e os credores começam a aparecer. Logo de cara somos apresentados a um lado negro do Hollywood: sem glamour, sem festas absurdas, sem lantejoulas. Apenas desespero.

Fugindo desses credores, ele se esconde no que acredita ser uma mansão abandonada mas que, claro, não está. Ali, ele conhece uma atriz de filmes mudos…à medida que o som e a idade iam chegando, seus papéis foram sumindo até ninguém mais se lembrar dela. Mas Joseph, que trabalha no meio, a reconhece e quer saber o que aconteceu pois ela “já foi muito grande”. É quando Norma Desmond nos entrega a famosa:

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Mas a verdade é que Norma também se encontra em um limbo: ela quer ser relevante de novo, ela sonha com as luzes da fama e está totalmente desequilibrada por não ter mais nada disso. Ao descobrir que Joseph é roteirista, ela pede sua opinião sobre um roteiro que ela escreveu e tem certeza de que será seu retorno triunfante às telonas. Muito esperto, Joseph diz que o roteiro é ruim e que precisa de revisão. Ele se dispõe a ajudar…por um preço.

Mal sabia ele no que estava se metendo.

Acostumada a ser o centro das atenções, Norma logo exige que Joseph se mude para sua casa onde ela pode vê-lo trabalhar. Aos poucos, o relacionamento entre os dois vai mudando e se tornando um caso estranho de obsessão com Norma controlando todos os aspectos da vida de Joe: o que ele veste, o que ele come, onde ele vai…e em sua situação precária, Joseph acaba aceitando. Ele se torna amante de Norma para manter o emprego e a vida boa. A obsessão de Norma é tanto com Joseph quanto com ela mesma…duas vezes por semana eles assistem um filme no qual a estrela é sempre…ela.

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Norma se prendeu ao passado de tal maneira que se recusa a comprar um carro novo, aversa a tudo o que é atual. Ela gosta de estar no passado porque ela se sentia importante naquela época. É sua forma de resgatar algum resquício da vida que já teve um dia.

Mais do que um roteiro bem escrito, bem formado e com um final surpresa, Crepúsculo dos Deuses conta com atuações excepcionais. Filmado em uma das épocas mais glamourosas de Hollywood, ele nos mostra o lado frio, sem sentido e opaco desse mesmo mundo onde nem tudo é brilho, beleza e cílios postiços.

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Quem pode dizer que muitas das estrelas do passado não estão assim hoje (exceto Charlie Sheen)? O filme serve para nos apresentar uma reflexão sobre o que é a fama de verdade e o que pode vir com dinheiro e atenção. Porque o problema não é quando vem, é quando vai embora. E em nenhum outro lugar isso é tão caracterizado quanto Hollywood. Norma é obcecada pela fama tanto quanto é obcecada pela sua própria imagem. Seu narcisismo intenso é o resultado de anos de adulação sem limites. Ninguém pode sobreviver a isso com a sanidade completa. Nem Norma, nem Joe conseguiram.

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