Semana de Cinema – Do Underground ao Emo
por Gabriel
em 28/03/15

Nota:

Demorei mas apareci! Assisti ao documentário brasileiro “Do Underground ao Emo” nessa tarde de sábado. E, para quem viveu os anos 2000 e a cena hardcore, descrevo abaixo o que é um dos registros audiovisuais mais emocionantes que já vi (independentemente da qualidade do documentário).

Este é um vídeo sem muitas pretensões. O documentário dirigido por Daniel Ferro e exibido pelo canal Bis pretende registrar o que aconteceu na chamada “cena” musical brasileira do final dos anos 90 e começo dos anos 2000. Por meio de depoimentos dos envolvidos, é recriada a época. E alguns trechos de música e vídeos do momento marcam o documentário.

Esta cena teve muita influência do hardcore e do punk, principalmente da geração de Bad Religion e quetais. E marcou a vida de muitos (esse que os escreve, incluso – se ainda não perceberam, perceberão ao longo do texto). Existiam bandas como Dance of Days, Dead Fish, CPM 22 e outras, e este mesmo grupo de pessoas deu a luz a bandas como o NX Zero ou Fresno, que até hoje são ouvidas em rádios do país.

Em pouco menos de uma hora de documentário, vemos figuras marcantes como Rodrigo (do Dead Fish, uma das bandas mais importantes da cena e oriunda de Vitória, no Espírito Santo); Capilé (do Sugar Kane, uma banda de Curitiba que também obteve relativo sucesso); Koala (do Hateen); Nenê Altro (do Dance of Days) e Badauí (do CPM 22, talvez a banda que mais obteve sucesso dentre esses nomes todos da geração inicial, na esteira da MTV). Menções ao Tramavirtual, ao MP3.com, ao Fotolog (!!!) e ao começo do Orkut dão o tempero do documentário ao ilustrar o início da Internet e o efeito da rede nessa cena.

O documentário deixa clara a força do CPM 22, que utilizou as influências do hardcore melódico para ganhar espaço em lugares grandes da mídia e ser a primeira banda do gênero a ocupar MTV, Globo e lugares como esses.

É engraçado acompanhar os depoimentos sobre as mudanças na cena, sobre as adaptações feitas após o sucesso do CPM 22 e todas as necessidades que surgiram disso. Perceber que isso tudo deu origem a bandas como o NX Zero, que tocam hoje em rádios grandes, é algo de impressionante (goste-se ou não do que eles cantam). Ver a história de festivais como o SP Pró-HC , que ocorreu em Pinheiros (São Paulo) na época, é impagável para quem viveu isso.

O documentário, no final, pincela a transição entre o hardcore melódico e o rótulo emo; aquele mesmo que deu origem a toda uma “tribo” de pessoas que se vestiam de uma forma peculiar e que tachou uma geração inteira que vinha antes dela, mesmo que essa geração anterior tivesse muito mais relação com o meio do skate e com um ambiente muito mais relaxado e descontraído.

Não há brilhantismos no documentário, não há grandes lances de filmagem além dos belos takes de shows no Hangar 110, principal casa dessa cena em São Paulo e no Brasil. Mas, para quem viveu essa época, é emocionante rever esses momentos e acompanhar novamente o movimento. Se você não entendeu nada do que eu disse nessa resenha, simplesmente não se dê ao trabalho porque não vai valer a pena (talvez para entender de onde surgiram NX Zero e Fresno, mas não sei se uma hora da sua vida devem ser gastas nisso). Mas, se reconheceu cada um dos nomes, faça isso e divirta-se por uns 50 minutos de nostalgia. Mas depois aguente a vontade de retornar pelo menos uns 10 anos na história (ou começar uma banda).

Fecho com a frase do Torquato, da banda Cueio Limão, que acho que resume bem o que foi essa experiência para quem tocava ou acompanhava: “a gente pode não ter sido a Tropicália; mas pelo menos pra gente, as histórias que a gente vai contar… vão ser foda”.

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