Semana De Cinema – Gravidade
por Ragner
em 23/10/13

Nota:

Gravidade-poster

“Espaço, a fronteira final…” ou apenas o (re)começo, dependendo do seu ponto de vista.

Decidido a se entregar ou a enfrentar quaisquer adversidades, somos capazes de tudo ou de entender que não é possível fazer mais nada. Nos nossos momentos de maior conflito pessoal ou mesmo com outros fatores, somos jogados na parede e forçados a tomar alguma atitude, seja ela certa ou errada, que dê resultado positivo ou não, mas que simplesmente temos que agir, isso é mais do que fato consumado. Imagine então onde qualquer decisão e ação é mais forçada ainda a acontecer e não há chances para erros, onde você pode estar sozinho e a única ajuda possível está a mais de centenas de quilômetros de distância.

Ao assistir os trailers de Gravidade, via sempre o quão tenso eram e como deixava aquela sensação de aflição ou nervosismo pelo completo descontrole de vagar pelo espaço sem NADA para se firmar ou se apoiar ou segurar… É amiguinhos, os trailers já deixam claro o quanto o filme pode deixar você de olhos bem abertos, aguardando como tudo vai se desenrolar e se é possível sobreviver a tudo isso.

Eu particularmente, cheguei a pensar que haveria momentos como em “Mar Aberto“, onde passamos mais da metade do filme assistindo um casal perdido no meio do oceano, dia após noite, tentando sobreviver, sem qualquer ajuda e com cenas bem paradas, mas trágicas, só com a solidão de ambos e aquele clima de que é o fim.

Junto do astronauta Matt Kowalski (George Clooney) e a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock) vamos sendo deslumbrados com a beleza que é o espaço e a vista que vislumbramos da Terra. Ambos estão fazendo alguns ajustes no telescópio Hubble quando recebem o recado de que uma chuva de destroços, ocasionada pela destruição de um satélite russo, vai em direção a eles. A quilômetros de distância de qualquer ajuda e sem ter para onde fugir, o lixo espacial os pega. Uma luta descomunal pela vida começa e Ryan é lançada para o espaço sideral, girando sem parar e não sabendo o que fazer. Até que Matt consegue alcança-la e a leva para E.E.I. (Estação Espacial Internacional). Porém, a inércia de seus corpos quase faz com que eles passem direto e por pouco não perdem a única maneira de sobreviver.

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Durante todo o momento do filme, Ryan passa por momentos desesperadores e podemos perceber, mais do que em vários outros filmes, o quanto a vida é frágil e somos insignificantes perto da vastidão mundial (imagine e espaço, agora imagine você, sozinho, vagando por ele). Todas as vezes em que ela consegue se prender a algo ou quase se salvar, alguma coisa dá errado e ela precisa ir além, continuar tentando, não podendo parar para “tomar um ar” ou descançar. A luta pela vida é intensa e nada para para você se recompor, por isso só é possível seguir em frente, ou desistir de vez. Em algumas cenas podemos ter consciência de algumas referencias a conceitos espirituais ou mesmo condizentes com momentos de nascimento, renascimento e morte.

Sandra-Bullock-Renascendo

O que grita mais alto no filme é a batalha de Ryan a cada obstáculo vencido e o que é preciso fazer para chegar a um porto seguro. A heroína se lembra de sua filha já morta, se questiona se ainda vale a pena continuar lutando, absorve a solidão e aproveita tudo o que vai acontecendo para descobrir o quanto é forte. Ao ter uma alucinação de que ainda é possível (um dos momentos mais FANTÁSTICOS do filme), ainda há uma maneira de conseguir, ainda se pode vencer, ela segue.

O filme consegue ainda ser melhor pelas lindas e maravilhosas cenas de fotografia espacial. A aurora boreal que aparece, a visão da Terra LINDA como um painel inacessível e o vazio devastador de tirar o fôlego. Uma dica é assistir o filme em 3D. Aqui vale MUITO a pena.

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