Semana De Cinema – Homem Irracional
por Ragner
em 27/10/15

Nota:

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Woody Allen não é, sinceramente, um dos meus diretores favoritos. Não que não goste dos filmes dele (por sinal gostei um bocado dos que assisti), a verdade é que não sou um consumidor assumido nem assíduo. Mas quando assisti ao trailer de Homem Irracional, me interessei bastante em correr até o cinema mais próximo, comprar algumas guloseimas, me assentar em uma poltrona confortável e aproveitar o que vinha pela frente.

O filme é uma aula de filosofia que discute largamente a questão da ética e, afirmo, navega um bocado sobre as nuances morais questionáveis de quando alguém comete algum ato tendo a certeza de que aquilo é o melhor a ser feito. Até mesmo quando tal ato pode representar algo de bom para muitas pessoas, mas é bastante questionável pela realização punível. A justiça de alguns não está acima do bem de uma única pessoa.

Abel Lucas, um depressivo professor de filosofia, possui uma desmotivação inerente a sua descrença e desgosto com a vida, com os amores e com o existencialismo gritante de suas convicções. Após todos os acontecimentos ruins que fizeram parte de alguns momentos essenciais de sua vida, o professor vai redescobrindo emoções e reafirmando condições que permeiam sua posição moral em relação à vida. Enquanto vai se envolvendo com uma colega de trabalho, a professora Rita (Parker Posey) e logo depois com uma aluna – Jill (Emma Stone) – seu posicionamento perante questões objetivas e subjetivas vai ganhando cores e destaques que o fazem mudar seu pensamento e ritmo de existência.

 

 

 

Depois de presenciar algumas situações sobre as quais não consegue parar de refletir, Abe passa a se motivar e ter um objetivo de vida. Quando isso acontece, tudo muda, o torturado professor passa a se portar com uma eloquência bem mais firme do que a usual, passa até a andar com uma postura física que denota determinação. Com isso, suas relações vão sofrendo leves alterações. Abe fica tão obcecado em realizar aquilo que crê ser bom, que não enxerga o quanto pode estar errado e vai agindo como se nada de mau estivesse acontecendo.

A aula filosófica que vamos observando no filme discute o que é moralmente aceito ou correto. Somos levados a ter uma inebriante associação do que vale a pena ou não, com uma irretocável crença de que tudo se acerta e se justifica quando estamos pensando em um bem maior. Pelo menos é o que Abe tenta justificar em sua desventura romântica. Uma interessante obra de discussão filosófica analítica racional que extravasa e, arrisco, extrapola o que afirma ser moral ou não.

P.S.: Não entrarei em méritos relacionados às obras de Woody Allen. Não tenho cacife para isso e fico com minha impressão somente sobre esse filme.

 

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