Semana de Cinema – Mad Max Fury Road (2015)
por Patricia
em 21/09/15

Nota:

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Comecei a saga Mad Max porque esse ano foi lançado um novo filme – mais de 30 anos depois do último com Mel Gibson. A crítica parece ter gostado, porém muitos fanboys se revoltaram quando o filme foi classificado como feminista já que Mad Max tem uma parceira tão Mad quanto ele. Como nunca tinha visto nenhum dos filmes, resolvi retomar a história do começo e ver por mim mesma se o mimimi generalizado é justiçado ou não.

Já falei aqui do primeiro, segundo e terceiro filmes.

Fury Road começa com uma contextualização excelente narrada pelo próprio Max – ele se define como um homem fugindo dos vivos e dos mortos, atormentado pela lembrança das pessoas que viu morrer sem poder salvar. De certa forma, um clichê do herói atormentado solitário.

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Ele está numa cidade controlada por Immortan Joe que está dividida entre esfomeados e meio-vivos. Todos precisando insanamente de água, alimento e….gasolina (tema comum em toda a série). A população se divide entre guerreiros mortos-vivos e mortos de fome.

Nesse filme, porém, Max vai dividir o protagonismo com outra personagem: Imperator Furiosa interpretada pela lindíssima Charlize Theron. Logo no começo do filme, Furiosa se rebela e foge com as “reprodutoras” – mulheres que Joe mantém presas para dar à luz. Ele também mantém outras mulheres ligadas a máquinas de sucção como vacas – já que vacas de verdade não existem mais. Já temos aqui a primeira cena forte no quesito “feminismo”: Furiosa liberta essas mulheres de certa forma e, de outra forma, elas mesmas se libertam (a cena de uma delas quebrando o cinto de castidade é a metáfora perfeita).

Dali, temos uma excelente cena de perseguição com direito a tempestade de areia, suicídio e muitas e muitas explosões. Vai só melhorar quando Max e Furiosa se unirem para salvar as reprodutoras. A cena de luta de Furiosa com Max é excelente. Ela tem um braço a menos e ainda consegue lutar com ele de igual para igual – mais um belo “sintoma” do sub-enrendo feminista. Agindo em interesse próprio, Max vai acabar ajudando Furiosa em sua missão e se comprometendo mais do que gostaria – algo que parece acontecer sempre com ele.

Mad Max Fury Road não tem perdão. Qualquer um pode morrer, os morto-vivos, mulheres grávidas…e nenhuma morte será bonita. Não é um filme para corações fracos. George Miller não nega nada ao telespectador.

Enquanto uma das mulheres se desespera e tenta voltar para Joe, outra grita “Não somos coisas!”. É uma mensagem bonita, principalmente para um filme de ação, considerando que o gênero quase sempre conta com mulheres em pouca roupa que não fazem muito além de colaborar para o enredo dos personagens masculinos (as mocinhas que devem ser salvas).

Finalmente entendi o mimimi dos tios sobre “ter muita mulher” nessa história – o resumo do filme é uma mulher incrivelmente forte salvando outras de um cara do mal com a ajuda de um outro cara meio quietão. Se o nome dele não estivesse no título, talvez ninguém se lembrasse de seu nome. Se tivessem me dito que Furiosa era Mad Max, eu teria acreditado.

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Fury Road é melhor que Thunderdome (shoot me) em vários sentidos – e se iguala ao primeiro filme que quebrou barreiras com cenas fenomenais estabelecendo um novo padrão de filmes de ação. Em Fury Road, porém, temos melhores vilões, melhores explosões, melhor roteiro, efeitos visuais, Max realmente FALA e Furiosa acrescenta mais do que apenas um rosto bonito e puto da vida: ela acrescenta alma. As mudanças no cinema nos últimos 30 ano exigiram mais de Miller do que apenas seqüências de perseguição. Para nossa sorte, ele entendeu.

Mais ainda, a sociedade também mudou, exigindo personagens femininas mais interessantes (não que essa tenha se tornado a regra) e não perdoando filmes que deixam mulheres no segundo plano ou as colocam em situações clichês e sem graças. Levando em consideração e adaptando todas essas mudanças para a saga de Mad Max, George Miller fez mais do que um filme feminista, ele nos entregou um filme atual que realmente expande o conceito de heroína em filmes de ação.

Pense em feminismo ou não, Fury Road ainda é um puta filme e o choro continua livre.

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