Semana de Cinema – Meia noite em Paris
por Thiago
em 24/06/15

Nota:

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Revi esses dias um filme que gosto muito e é o preferido de uma pessoa extremamente importante pra mim. Meia noite em Paris é a volta de um dos maiores nomes do cinema, que ficou um bom tempo sem fazer coisa boa. Se não entendeu, estou falando de Woody Allen.

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O filme fala sobre um saudosismo de algo que nem se viveu. Saudade daquilo que poderia ser, saudade de outros tempos. Bacana né? No meio disso tudo fala sobre relacionamentos, e como fala.

Antes de soltar a sinopse vale chamar atenção pra dois pontos no filme. O primeiro é a fotografia. Putz, que vontade maluca de conhecer Paris que dá depois de ver esse filme, mas não a Paris turística e sim a do parisiense, imaginar como era no passado, como inspirou mentes tão brilhantes.

O outro ponto incrível é ver Owen Wilson, conhecido por fazer comédias – das quais não gosto de nenhuma – interpretar Gil, o personagem principal. Gosto muito de comédia, mesmo que não ria com qualquer besteirol, seja em teatro ou cinema. Penso que fazer rir é muito mais difícil do que fazer chorar. Requer o tempo certo da piada, requer um sei lá o que. Sempre que um ator meia boca de comédia faz um filme sério quero ver e até hoje não me decepcionei.

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Vamos a sinopse: Owen Wilson interpreta Gil Pender, um roteirista de Hollywood especialista em filmes e materiais pra tv, coisas blockbuster.  Passando férias em Paris com a família da noiva, Inez (Rachel McAdams) e seus pais, um casal americano tradicionalista. Em Paris Gil se reconecta com a arte, longe do dia a dia de enlatados encomendados de Los Angeles. Seu sonho era viver nos anos 1920, quando F. Scott FiztgeraldErnest Hemingway Pablo Picasso circulavam por ateliês e cafés da cidade. Certa noite, Gil misteriosamente realiza esse sonho.

Temos aqui um exemplar do realismo fantástico. Como se por uma brecha no tempo e espaço Gil volta no tempo, pra Paris de todos aqueles gênios que gostaria de conhecer.

Enquanto isso temos de pano de fundo a noiva chata, os pais da noiva e o casal de amigos da noiva, com um cara extremamente pedante e irritante, de nome Paul, interpretado  extremamente bem por Michael Sheen.

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Fora isso o elenco de apoio é incrível, utilizado pra representar os gênios da arte do passado que aparecem no filme. Não creio que esse filme pudesse acontecer em outra cidade. Não poderia ser Meia noite em outro lugar qualquer, apenas Paris.

Outro filme do diretor que este me lembra muito é Rosa púrpura do Cairo, mais um sobre realismo fantástico, onde algo mágico acontece. Tais filmes tem como ponto interessante a passagem leve entre o real e o mágico, como se fosse natura, como se acontecesse o tempo todo.

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Um outro ponto é que Gil Pender é como um alter ego de Woody Allen, é como se o Owen Wilson estivesse imitando o modo de interpretar do Allen nos filmes em que atua, só que melhor. Nunca fui fã do Allen como ator.

Allen faz aqui uma relação entre a arte e a vida, mostrando que a arte não é algo inatingível ou teórico e sim algo a se viver, algo para sentir. Daí os problemas do cotidiano relatados com humor de modo atemporal, tanto na realidade do personagem principal, como dos gênios da década de 20.

Sobretudo este é um filme sobre sonhos e amores. Que lugar melhor pra amar e sonhar que Paris?

Bom filme a todos.

 

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