Semana de Cinema – Na Natureza selvagem
por Ragner
em 28/05/13

Nota:

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Existem algumas oportunidades únicas no mundo. Há alguns momentos que surgem diversas vezes, mas esperamos a situação ideal. Muito da vida acontece quando tem que acontecer e então aproveitamos ao máximo, ou acreditamos nisso, o que pode trazer muitas surpresas boas ou não.

Tive a chance de assistir a esse filme várias vezes, mas estou mega feliz por ter feito isso agora. Meu entendimento poderia ser diferente, poderia até acrescentar dados mais específicos à uma resenha, mas acredito que o aproveitamento foi mais que satisfatório.

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O nome dado ao filme é bem acertado e podemos elevar o entendimento de selvagem à outro nível que não especifique ser algo ruim, ligado a selvageria. O selvagem aqui define exatamente o saber do que não é estritamente civilizado ou moldado por uma sociedade lotada de atributos que assassina o que é natural. A natureza é explorada em vários planos: individual; familiar; social; natural; espiritual e animal.

Chris McCandless se forma com louvor na faculdade e some. Doa todo o dinheiro que economizou com os anos e parte para viver uma aventura longe de tudo que já fez parte de sua vida. Primeiramente opta por seguir com seu carro e depois de um pequeno acidente onde seu carro fica inutilizado, entende que continuar a pé e sem quaisquer recursos financeiros pode ser o que ele precisa. Mas o filme não começa assim. O que estamos assistindo é um emaranhado de fatos “presentes” e “passados” que são intercalados para apresentar uma busca cheia de contexto, amadurecimento e razão. Nada aqui é contado por acaso e apenas incluído pelo diretor. A adaptação do livro de Jon Krakauer sobre uma história real é valorizada e muito bem explorada pela 7ª arte.

Chris sempre foi um rapaz que buscou conhecimento, que vivia entre as possibilidades da classe média alta americana, mas admirava a liberdade e a aventura, que convivia com as questões materialistas entre família, mas pensava mais na utilização menos fatídica do que não era essencial e desejava mais o contato humano, algo que não tinha em casa com os pais. Mesmo que seu relacionamento com a irmã fosse bom, as mentiras e a socialização mascarada dos pais feriam seu ideal de vida e eis um dos fatores basilares para sua opção de ir embora, de buscar um sentido maior para sua existência, algo que não houvesse muita relação com o que tinha vivido até então.

De McCandless passou para Supertramp (e é o nome da super banda que escuto enquanto escrevo essa resenha) e mudou o primeiro nome para Alexander. Tentou ao máximo exilar qualquer resquício com seu passado familiar e até descartou possíveis vínculos com a irmã, deixando todos sem notícias sobre o caminho que seguiu ou destino que pretendia alcançar. Com o tempo, com os kilômetros e com os conhecidos que encontra pela estrada que persegue, ele passa a entrar na vida de muita gente e vai embora logo em seguida sem avisos prévios ou muita despedida. Cris/Alexander parece gostar de muita gente que encontra, mas não se apega a ninguém. Soma cada experiência que adquire com os outros e ensina muita coisa também, aos mais jovens e aos mais velhos, não importa, mas seu desapego com tudo é impressionante.

Meses e meses após sua fuga, seus pais vão percebendo o quanto sua falta os destroem e como seria importante ter o filho próximo, mas isso é algo que Alexander desconhece e nem se preocupa em saber. Ele tem uma conduta moral inabalável, mas pela ótica dele (eu particularmente faria muita coisa de forma diferente…). A aventura de atingir seu objetivo por vezes parece radical demais. Alexander foi evoluindo no decorrer do filme como uma pessoa extremamente incorruptível em seu ideal e assustadoramente madura de como o mundo deveria ser. O percurso o proveu de recursos em vários níveis e situações, concedendo moradia quando preciso e trabalho quando necessário para conseguir chegar aonde queria.

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Todo o trabalho psicológico de como a jornada mexe com o protagonista é muito bem executado pelo ator e os momentos finais, as cenas finais, me transmitiram o quanto foi penoso para ele sua escolha. O olhar perdido e sonhador de reencontrar os pais e a vontade de que tudo ficaria bem foram sua redenção de que tudo o que aconteceu não foi em vão. Que sua vida teve um propósito e ele foi alcançado e todo meu pensamento de que eu faria algumas coisas diferentes, meio que foram tomados por um sentimento de respeito por esse rapaz que encontrou a paz. Pelo menos aos olhos de Sean Penn

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Um adendo que NÃO posso esquecer. A trilha sonora do fantástico Eddie Vedder é um elemento a mais e até um álbum exclusivo foi lançado, que é seu primeiro trabalho solo.

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2 Comentários em “Semana de Cinema – Na Natureza selvagem”


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Diogo Cordeiro em 28.05.2013 às 09:53 Responder

Jon Krakauer no roteiro, Sean Penn na direção e Eddie Vedder na trilha. Tornaram esse filme um dos melhores que já vi em minha vida.

E a história do personagem central também. Fantástico filme!!

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Paty em 28.05.2013 às 10:07 Responder

Concordo plenamente. Não entendo como não fez mais sucesso…merecia muito mais!


 

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