Semana De Cinema – O Contador
por Ragner
em 23/01/17

Nota:

 

Lembro-me bem de que fiquei ansioso e até preocupado quando soube que Ben Affleck seria o novo Batman. Sou um completo alucinado e apaixonado platônico pelo Morcegão. Curto deveras o Batman do Keaton e o Cavaleiro das Trevas do Bale (os demais valem como sessão da tarde). A trilogia de Christopher Nolan elevou à nível altíssimo os filmes do Morcegão, pode ser considerada uma obra prima. Os filmes estamparam nas telonas o Herói que muitos veneram e emplacou o fantástico Christian Bale como o melhor Batman até então. Os filmes estão resenhados aqui e aqui.

O primeiro filme do Affleck como o Morcego de Gotham já saiu. Fiquei mesmo impressionado e mais do que esperançoso de como serão suas próximas aparições no cinema, sustentando o manto do meu herói favorito no universo conhecido. E da mesma maneira que aconteceu com o Bale, quando assisti a Equilibrium (seu papel nesse filme me deixou bastante seguro de que seria muito formidável), posso assegurar de quem não tenho qualquer dúvida de como o novo Batman será lendário. Batman Vs Superman também já foi resenhado e duas vezes: aqui e aqui.

Julgo que O Contador pode ser encarado como uma preparação para o que há por vir. É certo de que o personagem de Affleck aqui não tem tanto a ver com Bruce Wayne, mas gosto de imaginar como seu treinamento para esse filme, já garante uma sintonia fabulosa com seu Batman futuro. Seu Christian Wolff é bastante solitário e extraordinariamente bem preparado para qualquer situação o que me fez gostar dele como alguém que eu gostaria como amigo.

No início do filme temos uma clínica para crianças especiais. Um pai e uma mãe (de dois meninos), preocupados com um filho autista, vão à clínica para tentar descobrir como tratar melhor alguns surtos do filho. Enquanto conversam com o dono do lugar, o filho autista está montando um grande quebra-cabeça em uma mesa no meio de uma outra a sala e o outro filho está em silêncio olhando pela janela. Na sala também está a filha do dono, que também sofre de algum distúrbio mental. Faltando apenas uma peça para acabar o quebra-cabeça, o garoto não a encontra, o irmão a vê debaixo da mesa, mas fica na dele. Durante um breve surto do garoto, a menina pega a peça e a entrega. Uma das coisas que mais adoro em filmes, é quando TUDO que acontece já de cara está ligado de alguma maneira com o que vai se sucedendo. E essa cena inicial é por demais significativa para o filme inteiro.

Já adulto, Wolff é um contador pacato, metódico, extremamente ordenado e que ajuda a quem precisa, mas durante o filme, vamos entendendo que seus serviços também resolvem os problemas de gente graúda, perigosa e que são investigados pela Receita norte americana. Quando o chefe de departamento da receita designa uma outra pessoa para descobrir quem é o contador por trás de muitos negócios escusos, essa outra face de Wolff começa a ser descoberta. Muitos momentos de flashbacks acontecem durante o filme e neles podemos acompanhar como Wolff se tornou o homem que é, o que seu pai fez para transforma-lo em um exímio lutador/combatente e como ele vai se envolvendo com pessoas perigosas.

O Contador é um deslumbre de como será o Batman, ao meu entender, e é um baita filme. Toda a narrativa é bem conduzida e muito bem amarrada, os momentos de clímax vão oscilando de maneira condizente com o que precisa ser apresentado e vai acontecendo. Gostei da atuação de Affleck como um homem sem demonstrações emotivas, mas que deixa no ar que se preocupada com quem ele gosta e o elenco é bastante providencial: J.K.Simmons como o chefe do departamento da Receita, responsável pela “caça” à Wolff (futuro Jim Gordon) e Jon Bernthal como o homem contratado para “queimar arquivos” (que é o Justiceiro no seriado Demolidor).

O filme não é de ação total (para quem gosta), mas tudo nele valeu a pena, ao meu ver.

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