Semana de Cinema – O espião que sabia demais
por Patricia
em 28/12/12

Nota:

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Como alguém que sempre gostou de histórias de espionagem, tem uma coisa que sempre me intrigou: o que acontece com espiões quando ficam velhos demais para o trabalho de campo? Eles são colocados no escritório para responder emails sobre a necessidade de comprar mais papel para a impressora?

John Le Carré foi um autor que, de sua maneira, tentou contar as histórias de agentes que não poderíamos ver no cinema: agentes que não estão interessados em matar 95 estrangeiros e ainda pilotar um avião. Por ter participado do corpo diplomático da Inglaterra de 60 a 64, Carré entende bem o cenário por trás dos panos das agências de inteligência.

“O espião que sabia demais” se passa durante a Guerra Fria (meados de 1973) quando ingleses e russos estavam se avaliando mutuamente para saber quem representava mais perigo a quem. No meio desse momento intenso da História do mundo, surgem acusações de que um dos membros do alto escalão da inteligência britânica (apelidada carinhosamente de Circo) é, de fato, um traidor.

Entre em cena George Smiley – um espião aposentado que é convocado para investigar a situação e encontrar o traidor.

O filme começa com cortes drásticos, muitas vezes sem sentido mas o ritmo vai se acalmando à medida que vamos aprendendo mais sobre a história e a investigação. 

A atuação de Gary Oldman – que lhe rendeu uma indicação ao Oscar – é ao ponto. Um espião aposentado que pensa antes de falar, pondera antes de comentar e analise tudo o tempo todo. O elenco todo tem atuações boas mas Oldman com certeza carrega o filme.

Para quem acredita que filmes de espião precisam, necessariamente,  envolver mortos, fogo, tiroteio, saltos mortais e tudo isso, “O espião que sabia demais” pode parece calmo ao ponto de ser parado. Mas isso é porque estamos acostumados a um cenário de espionagem criado para evitar que a história seja muito cerebral e que tudo seja mastigado para a platéia.

Le Carré não brinca assim. Espião mais pensa do que atira, mais cria estratégias do que persegue inimigos na rua, mais analisa documentos do que viaja o mundo atrás de problemas. E é esse o pano da história de Carré – a realidade cerebral da espionagem.

O filme tem um tom intenso e quase nenhum hora de alívio para quem está tentando descobrir quem é o traidor. Aliás, é difícil de saber antes do final da história – que é o que acontece quando se tem uma trama bem amarrada.

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