Semana de Cinema – O homem de gelo
por Patricia
em 26/05/14

Nota:

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Sou fã de filmes sobre máfia e tenho muito interesse por personagens que circundaram essa realidade. É uma questão de curiosidade e adoração por Scorsese. O homem de gelo se encaixa exatamente nesse perfil: é um filme que retrata um assassino de aluguel da máfia dos Estados Unidos do começo dos anos 60 até os anos 90. Foi essa pequena sinopse que chamou minha atenção. A animação ficou maior quando descobri que o personagem principal realmente existiu.

Richard Kuklinski (Michael Shannon) trabalha em uma distribuidora de filmes pornô e o conhecemos enquanto ele está em um encontro com Deborah (Winona Ryder – que está belíssima, por sinal). O ano é 1964 e durante o encontro ele é engraçado e divertido. Imediatamente na cena seguinte, vemos uma outra faceta: taciturno, Kuklinski joga bilhar com alguns amigos quando um conhecido faz um comentário bem babaca sobre Deborah. Kuklinski o degola. Frio, objetivo, preciso e assustador.

Logo de cara, já sabemos com quem estamos lidando – um psicopata.

Um ano depois, Deborah e Richard estão casados e recebem sua primeira filha. Na cena seguinte ele está sendo ameaçado por mafiosos para terminar de encaixotar uma leva de filmes pornográficos. Corta para ele chegando em casa e sendo um ótimo pai e marido.

Essas cenas vão se alternar durante todo o filme até o momento que não se pode fingir mais. A façada de Richard para o mundo esconde algo muito mais intenso. Por trás do pai e marido carinhoso, está um homem frio, calculista e totalmente maluco. Seu primeiro trabalho para a máfia, para mostrar que está pronto, é assassinar um mendigo a sangue frio. Ele vai além e executa o crime em plena luz do dia, no meio da rua e sem chamar a atenção. Menino de ouro.

Depois dessa garantia de lealdade, ele passa a ser o homem de confiança da máfia. Em 10 anos, ele é um homem rico, morando nos subúrbios da cidade, jantando em restaurantes caros. Claro que essa vida dupla não poderia durar para sempre e quando o mafioso o manda embora, Richard perde a noção das coisas. Ele se torna extremamente agressivo com a família e com desconhecidos. A linha entre profissão e vida privada começam a ficar embaralhadas.

A verdade é que o filme é morno. Depois de uma hora já estamos bem informados da situação de Richard, sua vida dupla e tudo o mais. A novidade fica velha. E nem podemos dizer que o filme tem muita ação porque isso não é verdade. Tem tiros, corpos, mas apenas isso. As cenas mais intensas são as que ele e o novo companheiro estão esquartejando corpos. Fora isso, bem mais do mesmo. Aliás, em alguns momentos chega a ser até mesmo cansativo. É difícil não imaginar que o diretor tentou seguir a cartilha de Scorsese, mas não conseguiu reproduzir o mesmo entusiasmo.

Aliás…adivinhem quem está no filme atuando como um mafioso mal caráter? Isso mesmo. Ray Liotta, repetindo para sempre seu papel em Os bons companheiros. Ross Geller também está no filme como um dos capatazes de Liotta. Atuação mediana, bigode imenso. Chris Evans (o Capitão América) está quase irreconhecível e interpreta o parceiro no crime de Richard. Juntos, eles passam a executar meio mundo para a máfia.

É uma pena que o filme seja tão mediano porque a história de Richard poderia ser bem melhor apresentada considerando que o cara existiu de verdade. Pensem no que poderiam fazer com a vida dupla que esse homem levou. Estima-se que Richard matou algo entre 100 a 250 homens por um período de 40 anos. O nome “homem de gelo” surgiu porque ele costumava congelar suas vítimas para confundir quem quer que encontrasse o corpo sobre o período da morte.

Serve de passa tempo, mas não espere grandes coisas além de boas atuações e uma história que poderia ter rendido muito mais.

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