Semana de cinema – O quarto de Jack
por Bruno Lisboa
em 22/02/16

Nota:

download

Continuando o nosso especial do Oscar 2016, o filme da vez é sem dúvida um dos mais subestimados, e melhores, concorrentes: o emocionante O quarto de Jack. Roteirizado por de Emma Donoghue, baseado em seu próprio livro, o longa é uma autêntica aula de como fazer do mínimo o máximo.

Em sua narrativa temos Joy (Brie Larson), adolescente que fora sequestrada há 7 anos, que vive encarcerada em um quarto minúsculo ao lado de seu filho de cinco anos de idade Jack (Jacob Tremblay), gerado a partir da relação com o seu sequestrador, Old Nick. A criança nunca viu a vida para além das quatros paredes ou da televisão e não consegue distinguir o que é real ou não.

Acertadamente, a história é dividida em três momentos distintos: o enclausuramento, a fuga e o doloroso processo de recuperação do trauma para ambos, fazendo com que dois gêneros fílmicos conduzam o filme de maneira equilibrada: o suspense e o drama.

Dirigido por Lenny Abrahamson (responsável pela essencial Frank), a partir de baixo orçamento (U$ 8 milhões, quantia essa pífia para alto  padrão Hollywoodiano) o diretor (indicado ao Oscar deste ano) realiza uma direção minimalista, dotada de poucos recursos e rodado essencialmente com câmeras de mão, mas tecnicamente impecável. Outro destaque neste quesito é a opção por rodar o filme basicamente em planos fechados e a fotografia em tons escuros, que colaboram para ilustrar a visão de mundo confinada e valoriza as atuações, ponto principal da obra.

Na área das atuações o trabalho realizado por Brie Larson e Jacob Tremblay brilham de maneira estelar em seus respectivos papéis. Alheios a complexidade de seus personagens, marcados pela dor, fragilidade, distanciamento e o dificuldade de se encaixar no mundo, os atores imprimem veracidade resultando em presenças marcantes. Acertadamente, a atriz fora indicada ao Oscar e deve levar o prêmio sem cerimônias. O mesmo deveria ter acontecido com o jovem Tremblay, que atua como “gente grande”,  mas infelizmente o seu nome não surgiu na lista final.

O quarto de Jack, possivelmente, deverá conquistar apenas uma das quatro indicações no próximo domingo, mas isso não tira o brilho deste grande filme.

Em tempos onde blockbursters,  vazios de conteúdo e presos a efeitos especiais, imperam em salas de cinema, longas como este cumprem o papel fundamental da sétima arte: afinal a mesma não pode ser somente mero entretenimento. A mesma pode e deve ser capaz de retirar do lugar comum, trazer questionamentos relevantes e nos emocionar. Neste sentido O quarto de Jack é um farto banquete.

Postado em: Semana de Cinema
Tags:

Nenhum comentário em “Semana de cinema – O quarto de Jack”


 

Comentar