Semana de cinema – Os oito odiados
por Thiago
em 24/02/16

Nota:

8 odiados

Quero começar dizendo que adorei o filme e que a cada filme que passa Tarantino se torna meu diretor preferido. Antes o posto era disputado entre Spike Lee e Woody Allen, mas o diretor de Pulp Fiction estava logo ali e agora ultrapassou todo mundo.

Achei muito interessante a reação do grande público a este filme, incluse de alguns amigos que “gostam” do diretor. Impressionante como uma galera não curtiu. N começo não entendi o motivo, mas depois percebi que muitas pessoas ao pensarem nos filmes do Tarantino tem logo em mente sangue, sangue e mais sangue. Será que este diretor pode ser resumido a isso assim como podemos resumir Michael Bay a explosões? Não vejo desta maneira, exceto pela parte do Michael Bay, mas isso é outra história.

Vejo que este é o filme mais tarantinesco do Tarantino, nele vemos uma coleção de tarantinisses. Resumindo: diálogos, referências, trilha sonora, roteiro e personagens complexos. O diretor aqui se sente à vontade para contar uma história, literalmente, afinal ele é o narrador.

O segundo faroeste do diretor é uma história que se passa oito anos após a guerra civil americana, sendo assim muitas questões tratadas podem parecer estranhas para o público não familiarizado com a história americana. Ter este conhecimento faz o filme ficar muito mais interessante e as 3 horas em frente a tela passam mais rápido. Por questões como esta digo novamente que Tarantino estava extremamente à vontade aqui.

Segue um breve sinopse: ” uma diligência desloca-se pela paisagem invernal do Wyoming, com o caçador de recompensas John Ruth (Kurt Russell) e a fugitiva Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) – a caminho da cidade de Red Rock onde Ruth. Ao longo da estrada, eles encontram dois forasteiros: o Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson), um ex-soldado negro do exército que se tornou caçador de recompensas, e Chris Mannix (Walton Goggins), um sulista renegado que diz ser o mais novo xerife da cidade. Perdendo o controle da viagem na nevasca, Ruth, Domergue, Warren e Mannix buscam refúgio no Armazém da Minnie, uma parada de diligências situada numa passagem entre montanhas. Quando eles chegam ao armazém, são recebidos não pela proprietária Minnie, mas por quatro rostos desconhecidos. Bob (Demián Bichir), que está tomando conta do armazém enquanto Minnie visita a mãe, na companhia de Oswaldo Mobray (Tim Roth), o enforcador de Red Rock, o vaqueiro Joe Gage (Michael Madsen), e o general confederado Sanford Smithers (Bruce Dern).”

Uma breve observação: como é difícil resenhar este filme sem revelar muita coisa.

Vamos então aos elementos que não podem passar. O filme é dividido em capítulos, que dá um ar teatral a película, juntamente com a presença de um narrador. Em relação ao nome, é dito que os oito odiados é uma metalinguagem que refere ao oitavo filme de Tarantino. Entretanto se há um sentimento explorado neste filme é o ódio, seja gratuito ou não. Agora, para um faroeste como este ser tão incrível temos uma fotografia impecável e uma trilha sonora feita pelo mito Ennio Morricone. Se a música te instigar, depois procure mais sobre este senhor de 82 anos.

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Outra crítica que ouvi é que o filme se passa em um único ambiente, e sim se passa, mas e daí? Novamente o ar teatral do filme aparece com este elemento. Tudo se passa na estalagem, no ponto de parada.

Finalmente quero falar do elenco. Praticamente todos já trabalharam em algum filme do Tarantino. Não vou falar de todos aqui, mas de um faço questão, o grande Samuel Jackson. Caramba, como ele é bom, que personagem bem elaborado, que atuação impecável. Um misto de filho da puta, guerreiro e detetive no estilo Agatha Christie.

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O suspense e a tensão te prendem a atenção mesmo com longas falas, as vezes aparentemente até desconexas, mas na verdade são falas tarantinescas. Mas não se decepcione não há só diálogo em uma taberna, há sangue sim e muito.

Bom, divirtam-se.

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