Semana De Cinema – Rei Arthur – A Lenda Da Espada
por Ragner
em 23/05/17

Nota:

 

Rei Arthur é uma figura enigmática. Sua existência histórica tem lá seus percalços e muito misticismo gira em torno de sua veracidade. Fato é que ele tem um poder lendário absurdo e tanto na literatura quanto no cinema sua história ecoa por anos. Em 2004 foi lançado Rei Arthur com Clive Owen na pele do protagonista, com uma representatividade mais realista, sem o apelo mágico e com uma narrativa aparentemente centrada no conteúdo histórico. O filme de 2017 descarta essa intenção logo de cara, trabalhando um enredo que envolve bastante magia e o grandeza mítica do antigo rei da Bretanha.

De cara já posso dizer que gostei um bocado do filme, mesmo com a duração não sendo trabalhada de uma maneira que o visse como perfeito. As cenas de ação são fantásticas, gosto dos atores e a trilha sonora favorece ainda mais a grandiosidade do filme. Charlie Hunnam, ainda não é um ator que participa de grandes produções, mas defendo que deveria. Após ficar 7 anos a cargo da série Sons Of Anarchy (que ainda não assisti) e ter sido protagonista em Círculo De Fogo, sou a favor de que ele faça parte dos Blockbuster de heróis (sim, ele é o tipo perfeito para personificar o ricaço herói Oliver Queen – Arqueiro Verde – e ainda é um dos homens mais bonitos no mundo atualmente).

O filme começa contando um pouco sobre os pais do futuro rei e porque ele é tão importante para salvar o reino. Nesse meio tempo, assistimos batalhas com seres mágicos, a espada Excalibur sendo usada como um item de poder extraordinário e quem é o verdadeiro inimigo e suas intenções. Essa primeira parte é rápida, lembra até algumas cenas o jogo para PC Age Of Empires (jogo de estratégia tipo rpg, com ângulos e cenas que se movimentam de uma batalha a outra) e o quanto o poder místico é ingrediente basilar no filme. Logo depois acompanhamos o crescimento de um órfão que não tem a mínima ideia de quem é e de onde veio, como constrói sua vida através de uma preparação física e mental (como se virar nas ruas e defender os injustiçados) para ser um homem de respeito e honra por onde passa, e durante esses anos, ainda vemos como o novo rei – tio de Arthur – controla seu domínio e ambiciona mais poder.

Depois que o jovem Arthur percebe que não é mais um simples homem criado na periferia do reino e todos descobrem que ele é o menino da profecia (uma criança que nasceu para ser rei), é que o filme patina um pouco. Acontece um pega não pega desnecessário que poderia ser cortado e a “transformação” do cara que era um ninguém para rei é um tanto quanto chato, pois sua aceitação e afirmação fica até parecendo birra de entender como só ele pode salvar o povo (aceita logo que dói menos). E depois que ele entende como usar a Excalibur e passar pela “prova de fogo”, que só quem nasce para ser rei poderia passar, ele simplesmente fala para os amigos que precisam salvar o reino. Sem dúvidas, simples e direto. E aqui o filme volta a ficar muito bom, com cenas de lutas que parecem ser retiradas de jogos como God Of War e afins.

Rei Arthur poderia até ter uma continuação. Sério. Gostaria de ver alguns personagens conhecidos que não aparecem aqui e como o reinado de Arthur passa pela luta contra outros reinos. Mas não creio que seja uma ideia do diretor ou roteiristas. Comecei a ler a trilogia As Crônicas De Artur, que segue uma linha mais verossímil e histórica e acredito que também poderia muito bem ganhar o tratamento da 7ª arte. Ficamos no aguardo do que ainda pode vir dessas lendas inglesas (o primeiro volume de As Brumas De Avalon que também enveredam pelas lendas que incluem o Rei Arthur, já foi resenhada aqui). História é o que não falta.

 

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