Semana de Cinema – Ruas De Fogo
por Ragner
em 28/07/15

Nota:

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Sabe aqueles filmes que fazem parte do seu cartel de preferências, que você assistia várias e várias vezes por gostar de tudo nele, que todos os elementos funcionam muito bem, trilha sonora, ação, protagonista, antagonista, tudo mexe contigo, te faz ser um mega fã e ainda ter aquela música que te deixar imaginando estar em um clipe sempre que escuta? Ruas De Fogo não é somente “uma fábula de Rock And Roll” é um filme que garante testosterona suficiente para a década de 80, me arrisco a dizer, lado a lado com os filmes do Stallone, Schwarzenegger ou Van Damme.

Gangue de motoqueiros, uma rockstar, um anti-herói que volta ao bairro para salvar a mocinha e derrotar a gangue, um carro maneiro e aquela trilha maneira que embala os protagonistas em um romance rebelde. Enredo suficiente para garantir público a fim de ação e rock’n’roll e como qualquer adolescente que gostava de se imaginar o herói, capaz de enfrentar os bandidos e salvar a gatinha, Ruas De Fogo garantia aquela vontade de ser viver algum sonho transviado.

Ellen Aim (Diane Lane) é uma cantora que retorna a cidade natal para um show com sua banda, mas tal show é interrompido por uma gangue denominada Bombers, que é liderado por Raven Shaddock (Willem Dafoe), mas Ellen tem amigos e então seu ex-namorado, Tom Cody (Michael Paré) recebe um telegrama de sua irmã, pois parece ser o único capaz de salva-la e ajudar o bairro a se livrar da gangue de Raven. O produtor e atual namorado de Ellen, Billy Fish (Rick Moranis), aceita pagar Tom para que ele a resgate e eles ainda tem a ajuda de McCoy (Amy Madigan), uma ex-soldado que, bom, é uma personagem que aparece do nada e parece uma versão feminina de Cody e passa a ser seu braço direito.

“Não agradeça, retribua”

Esse é o enredo e a história flui que é uma beleza, curta, direta, simples. Tom é o típico machão solitário, Ellen é a mocinha meio inocente, meio rebelde, que mesmo sendo uma estrela do rock, ainda tem aquele ar submissa (feministas certamente odiariam isso), Fish tempera o filme sendo o alívio cômico e pastelão que rivaliza com Tom (um sendo o galã revoltado astro do time e o outro o nerd que tem tudo, mas ninguém o leva a sério). Mas o que deixa o filme mais interessante mesmo é que tudo funciona, o ar de época com o linguajar das ruas e os personagens com o clima de rebeldia e rock’n’roll. Certo que há erros de continuidade, interpretações toscas em alguns momentos, mas o que está mesmo em jogo aqui é a “fábula de rock’n’roll”

Tom, McCoy e Fish resgatam Ellen, destroem o pedaço dos Bombers e fogem. Conseguem voltar para casa, mas no dia seguinte Tom recebe a ameaça de que Raven quer acabar com sua raça. Tom e Ellen se acertam, ambos ainda são apaixonados um pelo outro, a policia se envolve e quer que Tom despareça, mas claro que nada é tão simples, Tom e Raven precisam provar quem é o macho alfa do pedaço e em uma bela manhã, os dois de digladiam usando martelos de ferro (de uma pureza máscula sem igual).

No final, um grande show acontece no bairro, Ellen canta seu maior sucesso e Tom vai embora, com um único beijo de adeus. Sem choro nem reza, sem maiores romantismos, com um último olhar e cada um segue seu caminho, sem olhar para trás. O filme é mesmo uma poesia que traduz bem muita música de Rock, com aquela história de amor que tem tudo para dar certo e acaba sendo não acontecendo, sendo trágica, desmedida o suficiente para começar como um vulcão em erupção e terminar como um balde de água fria.

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