Semana de cinema – Sabotage: o maestro do Canão
por Bruno Lisboa
em 31/07/15

Nota:

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Protagonista de uma carreira meteórica e fascinante na música brasileira, o finado rapper Sabotage conseguiu num curto espaço de tempo, via seu primeiro e único trabalho (o essencial Rap é compromisso!), criar um legado na música brasileira que reverbera até hoje. E, para fazer jus, o documentário Sabotage: o maestro da Canão foi produzido.

Dirigido por Ivan 13P (co-diretor de Favela no ar,  documentário com expoentes do rap nacional), o longa é um projeto antigo, idealizado desde a época em que o rapper paulistano fora assasinado em 2003, mas somente agora (graças ao apoio de fãs que financiaram campanha no site Catarse) o filme chega a sua edição final e ao circuito independente nacional.

Posivitamente, o longa busca desmistificar a carreira de Sabatoge. Depoimentos de parceiros de cena como Rappin’ Hood, Helião e Sandrão (ambos do RZO), B Negão, Mano Brown (Racionais Mc’s) menbros do Coletivo Instituto e o próprio rapper (que surge em vídeo gravado em 2002) revelam o surpreedente processo criativo do rapper. Sempre atento a tudo ao seu redor, musicalmente Sabota era tão versátil que assustava os desavisados. Sem receio, o músico durante as gravações de seu único rebento afirmava ser admirador e ouvinte do trabalho de cantoras pop como  Sandy e de bandas de rock como Iron Maiden.

Tantos predicados fizeram com que o mesmo se arriscasse na área cinematográfica. Nesta seara, a fala de diretores como Beto Brant (O invasor) e Hector Babenco (Carandiru) demonstram como Sabotage, mesmo sem o conhecimento técnico da causa, conseguia se sobressair em atuações sólidas e memoráveis. Seu domínio era tanto que por vezes o mesmo agia como diretor de atores, orientando na caracterização e atuação de outros atores.

Como poucos da sua seara, Sabotage soube transitar entre as mais variadas esferas da sociedade, conquistando a admiração de todos ao seu redor, graças ao largo carisma, carinho e simpatia. Responsável pelas melhores partes do longa (por vezes hilárias), Maria Dalva, ex-esposa do músico, revela um antagônico homem frágil e paternal que lutava diariamente pelo sustento da família, mesmo ante tamanha pobreza.

Porém, Sabotage: o maestro da Canão esbarra em problemas substancias e em escolhas que, infelizmente, interferem no resulto final. A começar pela utilização de animações para ilustrar trechos da narrativa. Mesmo sendo dotado de beleza plástica (muito semelhante ao que é visualizado em Montage of Heck, documentário sobre Kurt Cobain), o recurso é usado de maneira errônea, pois resume nos minutos inicias toda a narrativa que seguiria ao longo dos 110 minutos de filme, retirando assim todo o caráter de surpresa do espectador.

Outro problema a ser elencando é a má seleção de material de arquivo (muitos com aúdio ou vídeo em qualidade baixa) que resultam em trechos desinteressantes, sem peso para o filme.

Mas o grande problema do filme é a escolha do foco narrativo. Ao priorizar face artística de Sabotage, o roteiro falho não aborda de maneira substancial o lado pessoal do músico. Maurinho (como era conhecido na intimidade) passou por maus bocados durante toda a sua existência. A ausência da figura paternal, o uso de drogas, a entrada no universo do tráfico e sua própria morte surgem de maneira enevoada, fazendo com que a compreensão da essência deste homem que fora do inferno ao céu, fique em suspenso.

Por fim, apesar boas intenções o resultando é aquém do esperado. A figura de Sabotage merecia um melhor tratamento. Acredita-se que este terreno será ainda mais explorado com uma possível cinebiografia, pois há um largo potencial a ser explorado. É esperar para ver.

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