Semana de cinema – Snoopy e Charlie Brown: Peanuts, o filme
por Bruno Lisboa
em 23/02/16

Nota:

Peanuts_2015

Criado nos anos 50 por Charles M. Schulz, a tirinha “Peanuts” (popularmente conhecia no Brasil como Mindium ou Snoopy na tv) é a mais famosa de toda a história nessa seara. Prova maior de sua popularidade é o fato de que ao longo de 50 anos de vasta produção o trabalho foi lançado em mais de 75 países, alcançando a estrondosa marca de 355 milhões de leitores. O grande sucesso da mesma em muito se deve a amplitude de seu público, pois graças a sua temática adulta, mas com olhar infantil, Charlie Brown, personagem central, e sua turma agradam não só ao público mais velho como também ao mais jovem. Infelizmente, Schulz faleceu em 2000 (em decorrência de um câncer no colorretal).

Para além do universo dos quadrinhos, foram produzidos dezenas de especiais para a televisão e ao todo cinco longas, sendo o penúltimo lançado há distantes 35 anos. Para romper este longo silêncio o estúdio Blue Sky (responsável pela série de filmes Era do gelo Rio) e a 20th Century Fox uniram forças para trazer de volta para a nova geração os atemporais personagens criados por Schulz. Assim nasceu o filme The peanuts movie (Snoopy e Charlie Brown: Peanuts, o filme no Brasil).

Dirigido por Steve Martino e escrito por Craig Schulz, Bryan Schulz (filho e neto do autor, respectivamente) e Cornelius Uliano, o longa é uma justa homenagem ao enorme legado construído. A começar pelos créditos iniciais onde visualizamos o personagem Schroeder, o garoto pianista, reproduzindo o tema de abertura da 20th Century Fox.

O enredo, construído a partir da fusão e colagem de várias tirinhas produzidas anteriormente, traz novamente o atrapalhado, azarado e inseguro Charlie Brown tentando provar ao mundo, especialmente a sua paixão (a garotinha ruiva), que ele não é o loser que todos costumam cravar. Para vencer esta batalha Minduim conta com o apoio de toda a turma: a psicóloga de plantão (Lucy), sua irmã (Sally), seu melhor amigo (Linus), o seu cão (Snoopy) e o pássaro Woodstock,  Patty Pimentinha, Marcie e Schroeder, personagens que surgem muito bem caracterizados historicamente e fiéis a sua essência original.

Utilizando sabiamente o recurso do 3D, Martino utiliza da profundidade cênica para trazer a deliciosa sensação de estar de fato imerso no história. Em determinados momentos, como nas cenas em que envolvem a história fantasiosa escrita por Snoopy em que ele é um audaz aviador que deve resgatar a cadela Fifi das garras do maléfico Barão Vermelho, rendem as melhores passagens.

Em tempos onde a molecada (e os seus pais) se rendem a violência de desenhos ou a filmes de super heróis, trazer de volta a pureza em filmes como esse é um alívio. O mundo como visualizamos os hoje, onde cada vez mais um grande número de crianças passa pela infância de maneira tão veloz em direção a idade adulta, muitos nem percebem o quão necessário é conservar a inocência deste período inicial. Nesse sentido a volta de Charlie Brown e sua turma é tardia, mas muito bem vinda.

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