Semana De Cinema – Southpaw
por Ragner
em 23/09/15

Nota:

Southpaw_poster

 

Jake Gyllenhall passou por um furacão em sua vida com esse filme. Treinou diariamente mais de 6 horas, lutou com boxeadores profissionais, se dedicou exclusivamente às filmagens e sua transformação. Fez muito para que fosse o papel de sua carreira e isso acabou influenciando em sua vida pessoal, fazendo-o até se separar da namorada. O filme é sobre superação, ir além, perder tudo, ir ao inferno, se reconstruir e dar a volta por cima. Não sei como está a vida do ator, mas tudo deu certo no filme. Não sei se é o suficiente para ganhar um Oscar, mas é uma baita atuação e um filme acima da média.

Não é um novo Rocky Balboa e o que mais afasta um do outro é a inocência. Rocky era inovador, inocente como protagonista, com sua estrela solitária em filmes assim e merece, até hoje, o título de melhor filme sobre boxe já realizado. “Nocaute” não é exatamente previsível, mesmo seguindo uma fórmula já desgastada, mas não tem aquela novidade necessária que o deixaria tão excelente quanto o primeiro Rocky. A inocência aqui é inexistente.

Billy “The Great” Hope (Jake Gyllenhall) é um campeão indiscutível, luta de uma maneira agressiva, quanto mais apanha, mais se sustenta e enfrenta seus oponentes com uma fúria incansável. Não é um exemplo de boxeador primoroso, não tem na técnica sua maior virtude, mas venceu a todos pela garra e compromisso de conquistar o que desejava. Orfão, viveu sempre lutando pela sobrevivência e demonstra isso nos ringues. Sua esposa e companheira desde sempre é quem consegue deixa-lo no rumo, quem o conduz pelo melhor caminho.

Após vencer mais um oponente e assegurar o título de campeão mundial, Billy Hope e Maureen Hope (Rachel McAdams) analisam se devem continuar nessa trilha de batalhas, e durante uma festa onde o campeão faz um discurso para conseguir fundos para crianças carentes, Maureen é atingida por uma bala perdida, após uma confusão estúpida com um desafiante que faz de tudo para deixar Billy com raiva e tira-lo do topo. Com essa tragédia, Hope se vê sozinho e derrotado, sem forças até mesmo para amar e cuidar da própria filha.

 

 

A vida de Hope se transforma drasticamente. Perde o título, dívidas monstruosas aparecem, ele perde a casa, todos os bens e por causa de sua raiva e incapacidade de ser responsável, perde também a guarda da filha. O único caminho que encontra para trilhar é se despir de qualquer orgulho e recomeçar do zero. Literalmente. Ao conseguir trabalho e a possibilidade de treinar na academia de Titus “Tick” Wils (Forest Whitaker), o homem que treinou o único lutador que poderia tê-lo vencido, Hope batalha para conseguir se reerguer, reconquistar a confiança da filha, recomeçar sua vida nos ringues e se tornar uma pessoa melhor.

O que parece óbvio é que eu dê 5 canecas para esse filmaço, porém vou ficar com 4. Poderia mesmo ter sido perfeito, tem muito do que me agrada em um filme, ainda mais sobre boxe, mas eu desejava mesmo que ele fosse além do mais do mesmo e recriasse algo que já é necessário em filmes assim. Eu desejo um novo Rocky. Hope conseguiu me alegrar bastante, mas sua tragédia ainda é equivalente à de muitos outros lutadores. Aguardo muito que Creed possa superar o velho Rocky, ainda mais com ele próprio no filme que já já estreia.

 

 

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