Semana de Cinema – Terapia de risco
por Patricia
em 26/08/13

Nota:

terapia-de-risco

Emily Taylor aguarda ansiosamente seu marido sair da prisão. Martin foi preso por “inside trading” – a negociação baseada em informações sigilosas e algo muito sério nas cortes norte americanas…mais ou menos. Mas esse não é o foco do filme. Martin foi preso quando ele e Emily haviam acabado de se casar deixando-a como uma jovem esposa de um detento.

Acostumada a tudo que é bom na vida, Emily teve que se virar para conseguir se manter sem a renda do marido. Ela entrou em depressão e passou a fazer acompanhamento médico tomando alguns remédios pesados. Quando Martin é libertado, enquanto esperamos que Emily sinta-se melhor, o oposto acontece. Ela parece sufocada pela nova vida e isso desperta tendências suicidas e sua depressão parece chegar a níveis ainda maiores.

Quando tenta se matar enfiando o carro na parede de um estacionamento, Emily chama a atenção do Dr. Jonathan Banks (um Jude Law fora do normal de tão bom). Ele começa a atendê-la e logo percebe que ela precisa de…uma ajudinha a mais. Dr. Banks, por sua vez, assumiu uma carga de trabalho enorme – a esposa perdeu o emprego e eles acabaram de comprar um apartamento enorme – e caro – no centro da cidade. O enteado dele também frequenta uma escola privada caríssima que, agora, é responsabilidade dele pagar. Ele atende mais clientes do que aguenta e aceita um emprego como consultor de uma grande empresa farmacêutica no teste de um novo remédio.

Emily lhe diz que uma amiga tomou um novo anti-depressivo chamado Ablixa e que agora estava bem e que, por isso, ela gostaria de experimentar esse remédio (sim, porque remédios contra depressão são como sabores de sorvete). O Dr., portanto, atende o desejo da paciente e lhe receita o mesmo. Só que Emily tem reações terríveis ao remédio, incluindo, sonâmbulismo.

Rooney Mara and Channing Tatum in Side Effects

É muito difícil entrar no que acontece depois disso porque uma coisa está ligada a outra e não teremos spoilers. O que posso dizer é que, mais do que um filme de suspense, é possível sentir na veia a crítica de Soderbergh à indústria farmacêutica que parece reger a vida dos norte-americanos. Todo mundo conhece alguém ou já passou por algum tratamento intenso anti-depressivo. As propagandas para esse tipo de remédio estão em todo lugar e os pacientes o solicitam por nome. Chega a ser surreal.

Todo mundo está infeliz e ninguém sabe porque. Só isso já daria um filme. Mas acrescente a isso uma sucessão de descobertas do Dr. Banks que mostram que nada do que foi apresentado a ele é o que parece ser e temos um suspense em outro nível. E é realmente inesperado. Algo que eu achava difícil de encontrar nesses filmes ultimamente (Soderbergh fez Contágio, por exemplo, filme que achei fraco demais).

Rooney Mara e Jude Law estão excelentes aqui. Eles carregam o filme sem esforço nenhum. O enredo é bem amarrado, bem organizado e vai nos levando a concluir junto com o Dr. Banks que algo muito errado está acontecendo. É impossível piscar e olha que nenhum carro explode, nenhum prédio desaba, nenhuma criança corre perigo de vida. Cinco doses de café para que você possa usar a cafeína como única droga na sua vida. 😉

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2 Comentários em “Semana de Cinema – Terapia de risco”


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Gabriel em 27.09.2013 às 11:21 Responder

Quase resenhei de novo esse filme para amanhã, hahahaha

Eu gostei bastante, mas achei que ele se esquiva de uma crítica maior à indústria farmacêutica e essa cultura dos antidepressivos, quando se encaminha pra revelar o final e meio que inocenta a indústria e a cultura que antes ele parecia criticar… sei lá, hehe

Mas achei bem bom, me empolguei assistindo.

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Paty em 27.09.2013 às 13:12 Responder

Hahahaha…presta atençãoooo, mano!! hahahah

Bom..poderia ser mais profundo. Mas no fim, achei válido ver uma crítica na cara da indústria – em um filme que tinha a intenção de ser um blockbuster e chamar a atenção. E a crítica é descarada, não é muito sutil. Achei bom isso.
Mas nem pensei mto no final dessa maneira…é Hollywood after all. Para ser um blockbuster tem que ter seu teor de água com açúcar. rs
🙂


 

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